quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O melhor goleiro de todos os tempos!


Ode a Rogério Ceni

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Caju é sinônimo de Atlético Paranaense, por estranho que pareça.

Mas o antigo goleiro do Furacão (anos 30/40) tem seu nome na história, como Lara, do Grêmio, da mesma época.

E são raros os goleiros que têm seus nomes automaticamente associados a um clube, às vezes dois, como Gilmar dos Santos Neves (Corinthians e Santos); Manga (Botafogo e Inter); Raul Plassmann (Cruzeiro e Flamengo).

Oberdã Catani do Palmeiras, Emerson Leão, fundamentalmente do Palmeiras, São Marcos.

Ronaldo, do Corinthians.

Barbosa, do Vasco.

Marcos Carneiro de Mendonça e Carlos Castilho, do Fluminense.

Kafunga, do Atlético Mineiro.

José Poy e Zetti, do São Paulo.

Nenhum deles, no entanto, o que não os diminui em nada, bem entendido, pegou três bolas impossíveis numa decisão de Mundial de Clubes.

Rogério Ceni pegou.

Nenhum deles foi eleito o melhor jogador de uma decisão de Mundial de Clubes nem do próprio Mundial.

Rogério Ceni foi.

Nenhum deles fez gols e mais gols pelo seu clube.

Rogério Ceni fez e fará.

Jamais houve um goleiro como Rogério Ceni, que compõe agora, como disse o autor do livro sobre o São Paulo (“Dentre os grandes, és o primeiro”, da Coleção Camisa 13, pela Ediouro), Conrado Giacomini, a Santíssima Trindade Tricolor, ao lado de Leônidas da Silva e Raí.

Do mesmo modo que não se afirmou aqui, na coluna passada, que o São Paulo é o maior time de todos os tempos do Brasil (porque nem é preciso comparar a equipe do tri mundial com o Santos de Pelé, basta compará-lo ao próprio São Paulo de Raí para constatar o tamanho da estupidez, se cometida), pois apenas se constatou que o São Paulo é o clube mais vitorioso do país, também ninguém está dizendo que Rogério é o melhor goleiro da história.

Ele é só (?!) o mais emblemático e bem sucedido a personificar um clube de futebol.

Até outro dia mesmo, com toda sua história no Morumbi, poderia se dizer que Rogério já tinha um lugar de honra na galeria dos ídolos tricolores, mas poucos e desimportantes títulos como titular.

Agora não só tem os dois títulos mais importantes que um clube pode ter como, ainda por cima, os obteve como os obteve, fazendo gols e milagres, tanto na Libertadores quanto no Mundial.

Ah, mas ele não está na seleção.

E não está porque não gostou de ter seu cabelo cortado na Copa das Confederações de 1997, na Arábia Saudita.
Romário anunciou que o time rasparia a cabeça caso chegasse à final do torneio.
Rogério foi pego de surpresa. Não gostou e não disfarçou o desagrado com a violência.
Até já disse que se não faltasse só uma partida teria pedido para voltar para o Brasil e de tão amuado não saiu mais de seu quarto, a não ser para treinar e se alimentar.
Zagallo viu em sua atitude “falta de espírito de grupo”.
Só resta dizer, como diria Fernando Calazans, azar da seleção.

Publicado na “Folha de S.Paulo de 25 de dezembro de 2005.

Translation

Ode to Rogerio Ceni

Juca Kfouri
Column of the sheet

Cashew is synonymous with Atletico Paranaense, oddly enough.

But the former goalkeeper of the Hurricane (30/40 years) has his name in history, like Lara, Sorority, in the same season.

And rare are the goalkeepers who have their names automatically associated with a club, sometimes two, as Gilmar dos Santos Neves (Corinthians and Santos) Manga (Botafogo and Inter); Raul Plassmann (Cruzeiro and Flamengo).

Oberdã Catani Palmeiras, Emerson Leao, primarily from Palmeiras, Sao Marcos.

Ronaldo, from Corinthians.

Barbosa, Vasco.

Marcos Carneiro de Mendonca and Carlos Castilho, Fluminense.

Kafunga, Atletico Mineiro.

José Poy and Zetti of Sao Paulo.

None, however, that does not diminish in any way, of course, impossible caught three balls in a decision of the Club World Cup.

Rogerio Ceni got.

None has been voted best player of a decision of the Club World Cup or the World itself.

Rogerio Ceni was.

None of them had goals and more goals for his club.

Rogério Ceni has done and will do.

There never was a goalkeeper as Rogerio Ceni, who now compose, as I said the author of the book on the St. Paul ("Among the great, you are the first" Shirt Collection 13 by Ediouro), Conrad Giacomini, the Trinity Tricolor, beside Leonidas da Silva and Rai.

Likewise it is not stated here in the last column, that São Paulo is the greatest team of all time in Brazil (because neither is necessary to compare the team's tri world with Santos of Pele, just compare it to itself São Paulo de Rai to see the size of stupidity, if committed) because it found that only St. Paul is the most successful club in the country, no one is saying that Roger is the best goalkeeper in history.

He's only (?) The most emblematic and successful to impersonate a football club.

Until the other day, with all its history in Morumbi, one could say that Roger had a place of honor in the gallery of idols tricolor, but few and unimportant titles like holder.

Now not only has the two most important titles that a club can have as, moreover, got them as received, scoring and miracles, both in the Libertadores as the World Cup.

Ah, but he is not in check.

And not because he disliked having his hair cut at the 1997 Confederations Cup in Saudi Arabia.
Romario announced that the team shave his head if he went to the finals of the tournament.
Roger was caught by surprise. Not liked and did not disguise the disgust with the violence.
I even said if she lacked only one match would have asked to return to Brazil so grumpy and never left her room, except to train and eat.
Zagallo saw in his attitude "lack of team spirit."
Only remains to say, like say Fernando Calazans, chance of selection.

Published in Folha de S. Paulo on December 25, 2005.

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