terça-feira, 28 de abril de 2009

Não há nada melhor?


Não há nada melhor?

1-Júlio César/ 2- Maicon / 3-Lúcio / 4-Juan / 5-Marcelo/ 6-Gilberto Silva / 7-Felipe Melo / 8- Ronaldo Gaúcho / 9- Kaká – 10- Robinho e 11-Luis Fabiano.

Eis a seleção do Dunga.

Assistindo a diversos programas esportivos, com jornalistas e ex-jogadores de futebol.

Cheguei a conclusão que alguns não entendem nada de futebol. Por isso resolvi criar o meu blog. Escrever sobre uma paixão compartilhada com milhões de pessoas no mundo inteiro.

Um dia o apresentador fez a seguinte observação:

“- Vocês notaram que reclamamos da escalação da seleção do Dunga e quando questionados sobre quais jogadores colocar no lugar, não temos respostas. As sugestões sempre são as mesmas, Hernanes, Ramires.... e quem mais? Todo mundo reclama do Gilberto Silva, quem colocaríamos no lugar dele? Quanto ao resto, acho que Júlio César, Maicon, Lúcio e Juan, Kaká, Robinho, Luís Fabiano são titulares absolutos de qualquer um, não é??”.

Não concordo.

Em outro programa, o apresentador radicalizou, sugeriu só a convocação de jogadores que atuam no Brasil. Com um ou outro “estrangeiro”.

Com este jornalista concordo em partes. É possível só convocar jogadores que atuam no Brasil e fazer uma baita seleção. E outra coisa, que tal um amistoso?

No passado já fizeram isso, a seleção oficial e outra seleção com os que não foram convocados.

A minha seleção não teria o soberbo do Júlio César! Goleiro mascarado que não era ninguém, até ir jogar na Europa e ser convocado para copa de 2006. Graças ao seu Zagallo! O filho do Zagallo é empresário do Júlio César! Por isso foi convocado e toda a crônica esportiva foi contra a sua convocação. Hoje ele é o próprio Yashin! A imprensa esportiva é igual ao vento.

Nada da “vaca louca” Lúcio, do “soneca” Ronaldo. Muito menos do modelo Kaká e seu dedinho.

Eis a minha convocação:

Goleiros – Rogério Cenni/ Marcos/Bruno

Lateral direito – Léo Moura/ Jonathan

Lateral esquerdo- Juan/ Cléber/ Fábio Santos

Zagueiros – Miranda/ Chicão/ André Dias

Volantes – Jean/ Hernanes / Ramires / Ibson /Elias

Meio campo – Wagner /Cleiton Xavier /Taison /Tiago Neves/Maicosuel

Atacantes – Nilmar / Keirrison / Fred / Borges

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Domingos da Guia


DOMINGOS DA GUIA

Antes de morrer em São Paulo, em 6 de setembro de 1969,Arthur Friedenreich, disse que Domingos da Guia fora o seu craque predileto.

Zizinho respondeu que jamais se preocupou em montar sua seleção ideal, mas se tivesse que escolher alguém para compôr o elenco de todos os tempos, certamente escolheria quatro jogadores: Pelé, Domingos da Guia, Leônidas da Silva e Nilton Santos.

Um craque de uma época em que a televisão nem sonhava existir e o futebol sequer era profissional. O autor mergulha exatamente nesse período e acerta em cheio, mostrando detalhes de uma fase pouco conhecida para todos nós.

"O Divino Mestre" vale como aprendizado e enriquecimento sobre a história futebolística brasileiro. E ainda para conhecer uma das grandes figuras, craque do Flamengo e que escreveu seu nome na história.

Resgatar a memória de um dos mitos do nosso futebol, de quem foi no final da década de quarenta nomeado "o maior jogador brasileiro de todos os tempos", e de um zagueiro que não por acaso ganhou o apelido de " divino mestre".
Esta é a missão cumprida do jornalista inglês Aidan Hamilton neste livro que começou a ser concebido em 1999, durante uma entrevista com Domingos.
Na época, o ex-zagueiro já tinha 87 anos de idade. Ele faleceu seis meses depois e Aidan foi tocado pela curiosidade, decidindo fazer uma pesquisa sobre o jogador que virou lenda não só no Brasil, mas na Argentina e no Uruguai.
O resultado é uma biografia ou mais do que isso segundo Achilles Chirol, que assina o prefácio e que resume a obra da seguinte forma: " ..contrasta com a maioria dos livros escritos sobre craques de futebol. Fala da arte de calar um grito de gol. Ao mesmo tempo desperta exercícios de interpretação que encantam quem ama o futebol. Como jogava Domingos? A quem se assemelhava dos inúmeros zagueiros que vi? Algo parecido com o italiano Baresi, o argentino Basso e o inglês Bobby Moore. Não importa, ele foi único e basta."
Para os torcedores mais velhos, esta biografia é um registro fundamental. Para os mais jovens, uma aula da época romântica do futebol brasileiro, da transição do amadorismo para o profissionalismo. E para o leitor curioso é a história de um homem que, com sua fé e sua destreza atlética, ganhou provavelmente de Mário Filho, o apelido perfeito: Divino Mestre.

Domingos Antônio da Guia (Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1912 — Rio de Janeiro, 18 de maio de 2000) foi um dos mais importantes futebolistas do Brasil, tendo sido revelado pelo Bangu Atlético Clube, assim como três irmãos e seu filho.

Zagueiro clássico e de execelente técnica é apontado como uns dos melhores do futebol brasileiro. Também foi pai de Ademir da Guia, maior ídolo da história do Palmeiras e irmão de Ladislau da Guia, o maior artilheiro da história do Bangu (com 215 gols), clube que revelou as duas gerações de craques para o futebol brasileiro .

Além do Bangu e da Seleção Brasileira, Domingos da Guia jogou ainda no Club Nacional de Fútbol, Vasco da Gama, Clube de Regatas do Flamengo, Sport Club Corinthians Paulista e Boca Juniors.

Numa época em um beque bom era aquele que entrava duro e dava chutões para a frente, o zagueiro Domingos Antônio da Guia, marcava a bola, que geralmente matava no peito para, em seguida, driblar os atacante adversários dentro da área e fazer um passe milimétrico em direção ao meio campo. Não é atoa que Domingos é considerado o maior zagueiro do futebol brasileiro em todos os tempos.

Começou jogando no Bangú em 1929. Depois se transferiu para o Nacional de Montevidéu onde conquistou o titulo de campeão uruguaio de 1933. Voltou ao Brasil para jogar no Vasco e foi campeão carioca em 1934. Saiu novamente para vestir a camisa do Boca Junior e outra vez foi campeão argentino de 1935. A próxima camisa foi a do Flamengo. No clube da Gávea foi campeão carioca nos anos de 1939. 1942 e 1943. Já veterano defendeu o Corinthians Paulista e encerrou sua carreira onde começou, no Bangú. Jogava de cabeça erguida, tinha uma perfeita noção de colocação e se destacava pela antecipação nas jogadas. Por seu futebol quase perfeito, tinha o apelido de Divino.

Vestiu a camisa da seleção brasileira em trinta partidas. Disputou vários campeonatos sul-americanos mas nunca foi campeão. Participou da Copa do Mundo de 1938 e ficou em terceiro lugar. Seguindo os passos e a tradição do pai, Ademir da Guia foi um dos mais clássicos e elegantes jogadores do nosso futebol. Domingos da Guia nasceu no dia 19 de novembro de 1912 no Rio de Janeiro, e morreu no dia 18 de maio de 2000.

A grande jogada de Domingos da Guia foi num Flamengo e Botafogo, em Álvaro Chaves. Ele não gostava de se exibir ou, pelo menos, parecia que não gostava, que fazia apenas o indispensável. Só na hora em que deveria surgir, esticar o pé, fazer alguma coisa, é que se mexia, é que dava sinal de vida. Por isso saía de campo com a camisa enxuta, naquele passo de samba à valsa lenta. Nesse Botafogo e Flamengo foi diferente, fez questão de ser diferente. Também tinha levado a maior vaia de sua vida. Primeiro levou uma vaiazinha: rebateu uma bola para fora. O sócio do Fluminense achou que Domingos da Guia não podia rebater uma bola para fora, e embora fosse uma homenagem, Da Guia se ofendeu. Então fez um gesto feio para a social do Fluminense. Nem queriam saber. Para dar uma idéia: Mário Pólo exigiu, aos gritos, a prisão do Mestre Da Guia.

Domingos não foi preso. Antes dele outros jogadores tinham feito o mesmo gesto e ficaram soltos. Mas num Da Guia ninguém admitia isso. E ele compreendeu que tinha sido outro, que tinha se diminuído, que precisava voltar a ser, e imediatamente, o Mestre Da Guia. E foi o que ele fez. Pegou uma bola a um metro do gol do Flamengo, pisou nela e chamou todo ataque do Botafogo para cima dele. E lá foram os cinco, com Heleno na frente, Geninho foi último. A torcida do Flamengo virou o rosto. Nem queria ver. A do Fluminense é que olhava fascinada para o Domingos contra cinco. E Da Guia deu o primeiro drible de milímetros, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto. Depois estendeu um passe de cinqüenta metros para Vevé, lá na ponta esquerda.

A bola passou por cima das cabeças dos jogadores do Botafogo, que pularam e esticaram o pescoço o mais que podiam sem tocá-la. E lá foi a bola imaculada, cair feito um ramo de flores, aos pés de Vevé. Então Domingos da Guia se voltou para a social do Fluminense, perfilou-se, depois se curvou e estendeu o braço direito num daqueles cumprimentos rasgados que exigem um chapéu com penacho para varrer o chão. Eu só vi a alta burguesia das Laranjeiras ficar de pé e aplaudir em palmas de queimar as mãos. Pois é: e parece que Domingos da Guia nunca existiu. Ninguém fala mais nele.

Domingos da Guia

por Marcial Salaverry

Barbosa, depois Cláudio, agora , foi o inesquecível Domingos da Guia...

Parece que estão montando uma grande Seleção Brasileira para algum campeonato intergalático. Sem dúvida estaremos bem representados. Nossos grandes ídolos estão partindo... É a lei da vida... Vão-se as pessoas, mas ficam as lembranças. Domingos, o Divino, agora mais divino do que nunca...

Com suas jogadas clássicas e mágicas, fazia o que queria com a bola, que sempre obedecia a seus desejos. Alguém poderá lembrar de seu erro na Copa de 1938, ao cometer o pênalti sobre Piola. Acontece que nossos jogadores nunca foram corretamente instruídos sobre as regras do International Board, e ele não poderia saber que, mesmo sem estar a bola em jogo, o juiz apitaria pênalti naquela jogada. Mas vamos esquecer isso, e somente lembrar sua classe indiscutível. Domingos da Guia nunca cometeu faltas maldosas. Sempre saia jogando com classe, com categoria. Domingos era tão bom que deixou sua classe mais um bom tempo em campo, mesmo após pendurar as chuteiras. Foi um dos poucos grandes craques que permaneceu em campo, através de seu herdeiro. Ademir da Guia continuou a desfilar a mesma classe de seu pai. Em outra posição, mas com a mesma categoria.

Mestre Domingos, sem dúvida alguma, você será o grande titular dessa Seleção Divina. Fica aqui expressa a saudade de todos aqueles que tiveram a sorte de ver algumas de suas jogadas, ou que simplesmente ouviram falar de suas obras de arte. Descanse em paz.

Domingos da Guia: o primeiro zagueiro clássico brasileiro

Por Marcelo Belpiede

Domingos da Guia deve ser colocado ao lado dos zagueiros mais habilidosos do futebol brasileiro. Evidências não faltam para constatar que essa afirmação é verdadeira. Campeão nos três principais centros do futebol da América do Sul (Argentina, Uruguai e Brasil), o zagueiro carioca deu origem ao termo “domingada”, que ao longo do tempo ganhou sentido pejorativo, mas também ilustra a genialidade do jogador.

Numa época em que os zagueiros se notabilizavam pela truculência e falta de técnica, Domingos deixava os torcedores com frio na espinhas ao preferir driblar adversários dentro da grande área do que dar chutões para frente após um desarme. Uma característica inédita para a década de 30 e que marcou o jogador como o primeiro zagueiro clássico do futebol brasileiro.

O pioneirismo de Domingos da Guia fez escola apesar da desconfiança inicial. Muitos beques da época tentaram imitá-lo, mas poucos tinham a elegância e a técnica natural do mestre. Logo, quando um zagueiro enfeitava em sua grande área sem a mesma eficiência do precursor, ele havia feito uma “domingada”, termo até hoje utilizado em lambanças de beques brasileiros.

Sem fronteiras: Domingos da Guia nasceu no Rio de Janeiro no dia 19 de novembro de 1912. Dezessete anos mais tarde, foi descoberto em peladas na zona rural carioca e passou a defender o Bangu. Em 1930, pela primeira vez foi convocado pela seleção brasileira e no ano seguinte já fazia parte do Vasco.

Já conhecido por suas características opostas a de um zagueiro convencional, o beque chamou a atenção dos uruguaios e em 1933 teve uma passagem vitoriosa pelo Nacional de Montevidéu. Campeão nacional, Domingos recebeu o apelido de “El Divino Mestre” e recebeu até uma proposta se naturalizar uruguaio e defender a Celeste na Copa de 1934.

Apesar do sucesso imediato, Domingos retornou ao Brasil no ano seguinte e foi campeão carioca pelo Vasco. Ídolo da torcida cruz-maltina, o Divino Mestre então recebeu um convite para jogar no Boca Juniors da Argentina. Aberto a desafios, o zagueiro mais uma vez atravessou a fronteira e garantiu o titulo argentino de 1935.

Assim como em Montevidéu, sua passagem por Buenos Aires foi curta e no ano seguinte ele estava de volta ao Rio de Janeiro, mas desta vez vestindo uniforme rubro-negro. Na melhor fase de sua carreira, Domingos defendeu o Flamengo até 1943, acumulando mais três títulos cariocas (1939, 1942 e 1943).

Consagrado como o melhor zagueiro do Brasil, o Mestre então conheceu o futebol paulista e jogou pelo Corinthians entre 1944 e 1947. Nos dois anos seguintes, já em fim de carreira, voltou às origens e aumentou o brilho do Bangu antes de enfim pendurar as chuteiras.

Domingos também é protagonista de um dos casos de pedigree mais bem-sucedidos do futebol brasileiro. Pai de Ademir da Guia, o zagueiro viu o filho jogar de meia e tornar-se o principal jogador da história do Palmeiras, herdando inclusive o apelido de “Divino”.

Domingos da Guia faleceu no dia 18 de maio de 2000, aos 87 anos, vítima de derrame cerebral. Como legado, deixou a certeza de que um zagueiro pode ser sinônimo de estilo clássico, categoria, tranqüilidade e elegância, como bem provaram Djalma Dias, Luís Pereira, Franz Beckenbauer, Figueroa, Maldini, entre muitos outros.

Mestre em dia de domingada: A rotineira classe de Domingos da Guia deu lugar a uma ‘domingada’ logo no jogo mais importante da carreira do Mestre. Em plena semifinal da Copa do Mundo de 1938, o zagueiro revidou um chute do atacante Piola e cometeu o pênalti que garantiu a vitória da Itália em cima do Brasil por 2 a 1.

“Não tive paciência. Levei um pontapé do italiano e revidei. O árbitro marcou pênalti. Aí perdemos a Copa”, resume. A derrota tirou o Brasil da decisão contra a Hungria na melhor campanha do Brasil em Mundiais até então: terceiro colocado após a vitória diante da Suécia. Domingos nunca se conformou com o lance e lamentava a falta de critério do árbitro, que em sua visão teria de ter marcado falta de Piola. Ele conta que a Itália foi favorecida pela arbitragem durante toda a competição, principalmente porque o líder fascista Benito Mussolini estava presente em todas as partidas e usou a vitória italiana como propaganda do regime totalitário.

Canhoteiro


O Garrincha do Morumbi

O garoto era reprimido pelo pai quando queria bater uma bolinha na rua com os amigos. Seu Cecílio o amarrava no pé de uma mesa para não poder brincar de jogar futebol, desejava que o filho fosse médico. Menino levado, mesmo atado improvisava uma bola de papel e se divertia do jeito que desse. Esse era o seu destino.

José Ribamar de Oliveira saiu de Coroatás, no interior do Maranhão, onde nasceu dia 24 de setembro de 1932, para ser um dos maiores ídolos da história do São Paulo. Ponta-esquerda de habilidade única, o atleta se destacou como grande driblador. Muitos o consideram o melhor da posição que já existiu. Entortava os adversários com uma facilidade inacreditável. Transformava os marcadores em verdadeiros admiradores de seu futebol alegre e descontraído.

Conhecido como Canhoteiro, arrebatou legiões de admiradores em todo o país, sendo um dos primeiros atletas a possuir um fã-clube no Brasil. Perfeito nos cruzamentos, dava gols aos seus companheiros com freqüência maior do que balançava as redes, se sentia bem fazendo assistências depois de três ou quatro dribles endiabrados. Muitos o comparavam a Garrincha, outros diziam que, se não fosse um boêmio e levasse a carreira a sério, seria melhor que Pelé. Exageros a parte, Canhoteiro foi um gênio. Zizinho, o mestre Ziza, era um dos maiores admiradores do jogador. Não cansava de exaltar as qualidades do ponta canhoto. Adepto do futebol brincalhão, o jogador era um espetáculo sem igual nas partidas são-paulinas. Era a alegria da torcida. Enlouquecia a multidão das arquibancada literalmente brincando com a bola.

A lenda são-paulina começou sua carreira futebolística no Paysandu, após ser descoberto por olheiros do Norte. Foi convidado a fazer um teste no Tricolor. Neste dia, o técnico da equipe de São Paulo pediu ao zagueiro Turcão, conhecido por ser um jogador muito ríspido, para poupar aquele pequeno garoto de canelas finas. Ao fim do jogo, o beque, atônito com o talento do jovem futebolista, disse: "Não é que eu tenha atendido o técnico, é que eu não consegui acertá-lo". Após isso, Turcão e todo o elenco são-paulino foi unânime em indicar Canhoteiro aos dirigentes do clube, que, cinco dias depois, compraram o seu passe.

Ele estreou na equipe dia 18 de abril de 1954 em um amistoso contra a Limoense. O placar não foi o dos sonhos de atleta que faz seu primeiro jogo em um time: 2 a 1 para a adversária. Porém, os deuses da bola sabiam que ali nascia um dos maiores jogadores do time do Morumbi. Canhoteiro teve vários momentos de maestria absoluta no Tricolor. Certa vez, Zizinho, cansado, pediu que ele prendesse a bola o máximo possível e foi isso que ele fez, dando um show de dribles nos infelizes zagueiros adversários. Entre gols belíssimos em que dava dois chapéus em zagueiros e um em um goleiro e passes precisos, um drible virou característico do jogador. No chamado drible do solavanco, o craque girava a cintura de um lado para o outro e com o pé esquerdo, conduzi a bola, iludindo o marcador.

Conquistou pelo São Paulo o Torneio Jarrito, no México, em 1955 e a Pequena Taça do Mundo, na Venezuela, em 1957, mas se consagrou mesmo no Campeonato Paulista de 1957, quando foi aclamado como um dos responsáveis pela conquista do Estadual. Suas exibições marcaram época no São Paulo. Ele participou da lendária inauguração do Morumbi em 1960. Ao todo foram 103 gols com a camisa do São Paulo em 415 partidas. Em 1960, após sofrer uma séria contusão em uma entrada de Homero, do Corinthians, Canhoteiro realizou duas cirurgias mal sucedidas, o que atrapalhou sua carreira. Se despediu do Tricolor com uma derrota para o Corinthians por 3 a 0 em 4 de agosto de 1963. Por último, jogou no México, onde atuou por Deportivo Nacional e Toluca. Voltando ao Brasil, marcou presença no Nacional e no Saad, time em que parou de jogar profissionalmente, aos 33 anos.

Em sua consagrada carreira, sentiu-se falta de uma maior participação do craque na seleção brasileira. Ele esteve três vezes na equipe. Participou do Sul-Americano Extra de Lima, da Taça Osvaldo Cruz e da excursão preparatória para a Copa de 58. Dizem que sua que ele vestiu a camisa amarelinha poucas vezes devido a um medo desenfreado de andar de avião e à paixão pela boemia, o que faz com que o comparem mais ainda com o extraordinário ponta-direita do Botafogo. Certa vez, na preparação para a Copa de 58, ele foi pego em uma boate. Feola, técnico da seleção, o cortou na hora. Mas há também quem ache que o fato de jogar em São Paulo e não no Rio foi um fator determinante para a sua escassa passagem pela seleção.

De uma maneira ou de outra, Canhoteiro com certeza fez muita falta no selecionado nacional, não pela falta de jogadores extremamente habilidosos naquela época, mas pela maestria e malandragem que ele poderia adicionar na sensacional equipe da Copa de 58. Zizinho era um dos principais críticos do pouco reconhecimento que foi dado ao atleta em relação ao seu talento. Na seleção canarinha o jogador disputou 16 partidas, sendo 15 delas oficiais, marcando apenas um gol.

Para ilustrar melhor a genialidade deste exímio atacante, é só analisar o tratamento que o ex-técnico do São Paulo, o húngaro Bella Guttman, dava a ele. Apenas Canhoteiro e Zizinho não participavam das preleções da equipe. Dizia o treinador: "Eles dois já sabem tudo, para que chamá-los para as preleções?". O craque morreu dia 16 de agosto de 74, vítima de problemas cardíacos, aos 42 anos.

José Ribamar de Oliveira, conhecido como Canhoteiro, (Coroatá, 24 de setembro de 1932São Paulo,16 de agosto de 1974) foi um futebolista brasileiro.

Para se medir a maestria de Canhoteiro, basta dizer que Pelé, considerado por muitos o maior jogador de futebol de todos os tempos, o tinha como um de seus dois maiores ídolos, ao lado do mestre Zizinho.

Canhoteiro media 1,68m era um ponta-esquerda extremamente habilidoso. O seu drible desconcertante, costumava entortar os adversários, o cabeceio certeiro, o chute raso, quase sem dar chance de defesa ao goleiro, o passe perfeito, a alegria do gol era também um jogador extremamente veloz, talvez seu unico ponto fraco em campo era a marcação. Uma variedade de estilos, como se fosse um coquetel preparado para o mais fino gosto.

Conhecido também como Garrincha do Murumbi, Canhoteiro é sem dúvida um dos maiores ídolos do São Paulo Futebol Clube de todos os tempos. O lendário camisa 11 do tricolor foi também um dos primeiros jogadores de futebol a ter fã-clube organizado, devido as suas jogadas mágicas.

O que Garrincha fez na ponta-direita, Canhoteiro fez na esquerda. Iguais, em lados diferentes, Garrincha acabou sendo um mito maior, porém Canhoteiro tinha o mesmo espírito brincalhão e galhofeiro. Fazia do futebol uma arte, a arte de divertir o público, se divertir e assombrar os companheiros. Ante a impossibilidade de marcá-lo, os adversários, muitas vezes, se contentavam em admirá-lo, como se fossem também espectadores e não participantes.

Carreira

Iniciou sua carreira profissional atuando pelo Américade Fortaleza em 1949, foi comprado pelo São Paulo, onde se projetou para o futebol, em 1954, por cem mil cruzeiros antigos. Antes, Canhoteiro fora motorista de caminhão.

Canhoteiro chegou para substituir Teixeirinha e foi campeão do Torneio Jarrito, no México em 1955, da Pequena Taça do Mundo, na Venezuela e Paulista, em 1957, ao lado de Zizinho. Esteve três vezes na seleção brasileira: no Sul-Americano Extra de Lima, na Taça Osvaldo Cruz e na excursão preparatória para a Copa de 58.

O que todos afirmam é que ele poderia ter sido campeão mundial, todavia o medo de avião e a paixão pela boemia o levaram a fazer de tudo para ser cortado.

Ele disputou 415 partidas pelo Tricolor paulista e marcou 103 gols. Tomou parte no jogo histórico da inauguração do Morumbi em 1960 contra o Sporting Lisboa no qual o ponta-esquerdo dera um show. Ficou mais três anos no Tricolor, quando após uma séria contusão em um lance casual com o jogador Homero do Corinthians. Após a contusão seu futebol não era mais o mesmo.Foi vendido ao futebol mexicano em 1963 para jogar pelo Toluca. Lá ficou por pouco tempo por causa dos problemas, voltando ao Brasil e encerrando a carreira aos 33 anos de idade.

Pela Seleção brasileira Canhoteiro participou de 16 patidas marcando apenas 1 gol justamente na sua estréia contra o Paraguay no Pacaembu em 17 de novembro de 1955. Devido ao seu estilo de vida boêmio não foi convocado para a copa de 1958. Foi um dos grandes personagens do São Paulo, adorado pelo público. Um homem que teve prazer na vida e no futebol. Se tivesse integrado os escretes de 1958 ou 1962, certamente seria um mito muito maior, da estatura dos nossos maiores gênios.

O único grande time do Brasil a fazer do ponta-esquerda um ídolo foi o São Paulo, clube no qual Canhoteiro (à direita na foto acima, com o Mestre Zizinho ao centro) vestia a camisa 11. E onde, a partir de 1954, ocupou a vaga de Teixeirinha, que há 15 anos era titular absoluto. Afora isso, o novato Canhoteiro ainda teve o afago unânime da galera são-paulina. E tal carinho se afirmaria em um fã-clube exclusivo – conjunto de admiradores até então inédito no âmbito do futebol brasileiro.

Só que essa torcida não sabia que o extrema-esquerda mulato, de 1,68 m de altura e 61 quilos, fora batizado José Ribamar de Oliveira. E que nasceu no Maranhão, na cidade de Coroatá, em 24 de setembro de 1932. Nem que, antes de surgir no Paissandu de São Luís, a capital, ele foi caminhoneiro e, desde a adolescência, bebia e varava noites tangendo com habilidade as cordas de um violão. Tampouco ninguém atinava que sua terra natal é próxima de Codó, sítio que no início do século passado pariu Fausto Maravilha Negra.

Sobre Canhoteiro, a torcida paulista sabia só que ele fora adquirido pelo alvirrubro cearense América, de Fortaleza, ao ser visto jogando no escrete maranhense, em 53. E que do time do Ceará se transferiu, em 13 de abril de 54, para o São Paulo Futebol Clube, onde chegou a ser chamado de o mágico tricolor, Madrake ou Cantinflas.

Nele, todos amariam o drible moleque, o passe criativo, o chute raso sem chance para o arqueiro, o cabeceio preciso, o afã do gol e o proverbial jeito brincalhão nordestino. Tudo isso divertia a massa. E os colegas de equipe lhe aplaudiam as embaixadas com moeda, laranja, xícara de cafezinho ou tampa de garrafa. A intimidade dele com objetos redondos – diziam em Coroatá – vinha do hábito de ser preso pelo pai a uma mesa, para não ir às peladas. Mas Canhoteiro, embora amarrado ao móvel, valia-se de bolinhas de papel para fazer malabarismo.

Certa vez, contra o Corinthians, em uma só jogada ele fintou o marcador Idário 14 vezes, para delírio da massa. Um desses dribles era o “solavanco": com a bola no pé e na linha lateral do campo, ele atraía os marcadores, girava a cintura para a direita, dava um corte seco e – pimba! – impunha o pique arrasador pela esquerda, levando perigo à meta adversária.

Já em 1955, malgrado a má fase do clube, a arte de Canhoteiro levou-o à seleção nacional, estreando, com Zito, em 17 de novembro, contra o Paraguai, no Pacaembu. E marcando o seu único gol no escrete, que venceu a Copa Oswaldo Cruz. Pelo São Paulo, ele foi ao México ganhar o torneio Jarrito. A viagem serviu para revelar a sua ojeriza por avião. E que, pretextando isso, levava Canhoteiro a beber em escala industrial.

Ano seguinte, no sul-americano do Uruguai, o ponta fez quatro dos 5 jogos do Brasil. E ainda atuou mais cinco vezes pela seleção em amistosos na Europa e no Recife, onde o escrete pernambucano se escalava com Barbosa no gol, mais Zequinha e Aldemar na linha média – estes, adiante, iriam para o Palmeiras.

Em 1957, quando fez tão-só um jogo pelo selecionado, Canhoteiro ganhara pelo São Paulo a Pequena Taça do Mundo, na Venezuela. Nesse ano, Zizinho esteve no tricolor e deu ao time o título estadual. Mais adiante, o Mestre Ziza diria: “No São Paulo, encontrei um punhado de craques. Um deles, Canhoteiro, jamais o esquecerei. Foi o maior ponta-esquerda que vi na minha vida. Em um metro quadrado, ele conseguia passar por três adversários, como manteiga que se aperta nas mãos”.

Pelé – nessa época, iniciando a carreira – viria a ter sobre o ponta tricolor opinião parecida. E o Rei sempre teve por Zizinho idolatria, nunca escondendo que o Mestre era o seu craque predileto.

Outro fã do maranhense, Chico Buarque de Holanda, compôs na música O futebol este ataque: Mané, Didi, Pagão, Pelé e Canhoteiro. Pois bem, em 11 de junho de 57, o são-paulino juntou-se a Garrincha e Pagão no time do Brasil. E na tarde de 13 de maio de 1959, quando Julinho foi vaiado, Canhoteiro jogava com Didi e Pelé. Assim, esse quinteto imaginário da canção se compôs em duas datas. E, com boa vontade, a linha de frente dos sonhos de Chico Buarque existiu, sim.

Em maio de 58, nos preparativos para a Copa do Mundo, Canhoteiro venceu outra Oswaldo Cruz. Nesse mês, após o ponta realizar outro jogo, Vicente Feola o excluiu do grupo por conta de um porre que ele tomara com o half Jadir. (Anos depois, tal exclusão ganhou de Chico Buarque de Holanda este desabafo: “Canhoteiro, cuja camisa Zagallo usurpou na Copa de 58, privando o Planeta de ver o que só eu via”).

Mas, em matéria de escapada noturna, Feola o conhecia bem, pois quando treinou o São Paulo, em 1956, o pau-de-arara fugiu da concentração e se meteu em boate. O técnico foi buscá-lo. Mas, subornando um porteiro, o mágico atacante tricolor vestiu-se de boné e túnica, pôs óculos escuros e plantou-se na frente da boate. Há quem diga que Vicente Ítalo Feola quis saber desse “guarda-portão": – Você viu o Canhoteiro por aí?

Todavia, dando adeus à equipe nacional, o gênio são-paulino ainda fez os dois jogos contra o Chile na Taça O'Higgins – ganha pelo Brasil em 1959. Dessa forma, ele completara 16 pelejas pelo escrete – das quais dez são vitórias, sendo quatro empates.
Na inauguração do estádio do Morumbi, em 60, Canhoteiro dera show na vitória sobre o Sporting Lisboa. Mas foi seu canto do cisne, já que, adiante, em um choque casual com o corintiano Homero, ele sofreu sérias contusões, que lhe valeram duas cirurgias. E jamais voltou a ser o mesmo.

Em outubro de 1963, venderam-no ao Guadalajara mexicano, onde jogou um ano. Lá, integrava grupo musical mariachi, e haja farra. Em 65, foi para o Toluca, também do México. E neste time esteve só seis meses, voltando ao Brasil para ter passagens meteóricas no Toledo paranaense, e pelos Nacional e Saad de São Paulo. Até que, em 1967, fora de forma, encerrou a carreira, trocando de vez a bola pelo copo e o violão.

Entregue ao vício, o pacato José Ribamar de Oliveira – quiçá na amnésia alcoólica – se olvidara que pelo São Paulo havia feito 415 jogos e 102 gols. E que seria por tudo dos mais cultuados ídolos tricolores. Tanto que, até hoje, é o quinto craque na preferência da torcida. E à frente de Friedenreich e Zizinho.

Porém, alheio a isso, esquecido, pobre e bêbado na capital paulista, em 16 de agosto de 1974, Canhoteiro foi vítima de derrame cerebral e se fez minuto de silêncio. Viveu 42 anos e na sua galhofa alegrou o povo de uma geração. Deixaria a viúva e, órfãs, uma filha e a bola. Além do vazio nos bares e noites de viola, em tudo que seja Canhoteiro. Inclusive na personificação do drible.

Em 2003, ainda reconhecido, o maranhense foi relembrado em disco pelos compositores Zeca Baleiro e Fagner. E em livro (Ediouro) comemorativo dos 450 anos da capital de São Paulo, Canhoteiro – O homem que driblou a glória, do jornalista Renato Pompeu

Leônidas da Silva


Leônidas da Silva (Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1913Cotia, 24 de janeiro de 2004) foi um dos principais jogadores brasileiros de futebol e, talvez, a primeira grande estrela do futebol na era profissional no Brasil. Tetracampeão pelo Botafogo, em 1935, 1° campeonato oficial, no regime profissional.


Biografia

Era filho de "Dona" Maria e do "Sr." Manoel Nunes da Silva e na infância era torcedor do Fluminense, encantado que foi com o grande time tricolor tricampeão carioca em 1917/1918/1919.

Conhecido como o "Diamante Negro" ou "Homem-Borracha", Leônidas da Silva começou sua carreira em 1930 no São Cristovão do Rio. Em 1932, com apenas 19 anos, chegou à Seleção Brasileira devido a sua habilidade com a bola nos pés. Após fazer dois gols na sua estréia, vestindo a camisa amarela da Seleção Brasileira.

Foi jogar pelo Peñarol do Uruguai em 1933. Após um ano, contudo, voltou ao Brasil para jogar pelo Vasco da Gama, o qual ajudou a ganhar o campeonato carioca de 1934.

A sua primeira competição importante com a camisa da seleção foi a Copa do Mundo, em 1934, na Itália. O Brasil fez uma péssima campanha, perdendo logo na estréia e sendo eliminado, e Leônidas marcou o único gol do Brasil na competição. Em 1938, foi artilheiro da Copa do Mundo com oito gols, incluindo quatro marcados contra a Polônia. Isso fez dele o primeiro jogador da história a marcar quatro gols em uma única partida de Copa do Mundo. O Brasil conseguiu a sua melhor participação em mundiais até então, ficando com a terceira colocação. Posteriormente, Lêonidas foi escolhido o melhor jogador do mundial.

Nos clubes, ele também obteve êxito no Botafogo, Flamengo e Vasco, ganhou títulos e virou ídolo, principalmente no Flamengo. Também combateu o preconceito, sendo um dos primeiros jogadores negros a jogar pelo então elitista time do Flamengo.

Em 1942 transferiu-se para São Paulo e atuou no São Paulo Futebol Clube. Foi cinco vezes Campeão Paulista, tornado-se um dos maiores ídolos da história do São Paulo, sendo homenageado no museu do clube com uma réplica de uma bicicleta que ele executou.

Durante a década de 40, devido a Segunda Guerra Mundial, os mundiais que seriam realizados em 1942 e 1946 foram cancelados, prejudicando enormemente jogadores como Leônidas, que não tiveram a oportunidade de se tornar conhecidos e reconhecidos mundialmente.

Depois de abandonar os gramados, em 1951, ainda continuou ligado ao esporte. Foi dirigente do São Paulo, logo depois virou comentarista esportivo, sendo considerado por muito um comentarista direto, duro e polêmico. Chegou a ganhar sete prêmios "Roquette Pinto". Sua carreira de radialista teve que ser interrompida em 1974 devido a doença do Mal de Alzheimer. Durante trinta anos ele viveu em uma casa para tratamento de idosos em São Paulo até morrer, em 24 de janeiro de 2004, por causa de complicações relacionadas à doença. A sua esposa e fiel companheira, Albertina Santos, foi quem cuidou dele até seus últimos dias. Todos os dias ela visitava o marido e passava o tempo com ele, cuidando do ex-craque. O tratamento foi mantido pelo São Paulo, último time que Leônidas defendeu como jogador. Foi enterrado no Cemitério da Paz, em São Paulo.

Graças ao trabalho de pessoas esforçadas o legado do "Diamante Negro" jamais será esquecido, mesmo o Brasil sendo considerado uma país que não dá atenção aos ídolos do passado. Foi lançada uma biografia do atleta e sua vida vai ser transformada em filme. Tudo para que os amantes do futebol não esqueçam desse que foi um dos maiores jogadores de todos os tempos. Alguns acham que isso ainda é pouco, já que Leônidas foi um dos maiores ídolos do Brasil, até o aparecimento de Pelé, no final dos anos 50. Alguns consideram Leônidas melhor que Pelé, porém é algo que ficará incerto, visto que os jogos ainda não eram televisionados na época em que Leônidas atuava como jogador.

A "bicicleta"

Leônidas recebeu o crédito por ter inventado a "bicicleta". Ele mesmo se autoproclamava o inventor da plástica jogada. Alguns afirmam ter sido criada por um outro jogador brasileiro, Petronilho de Brito, e que Leônidas apenas a teria aperfeiçoado.

A primeira vez que Leônidas executou essa jogada foi em 24 de abril de 1932, em uma partida entre "Bonsucesso" e "Carioca", com vitória do Bonsucesso por 5 X 2. Já pelo Flamengo, realizou a jogada somente uma vez, em 1939 contra o Independiente, da Argentina, que ficou muito famosa na época.

Pelo São Paulo ele realizou a jogada em duas oportunidades, a primeira em 14 de junho de 1942, contra o Palestra Itália, na derrota por 2 x 1. E a mais famosa de todas, em 13 de novembro de 1948, contra o Juventus, na goleada por 8 X 0. A jogada ficou imortalizada pela mais famosa foto do jogador.

Na Copa do Mundo de 1938 ele também realizou a jogada, para espanto dos torcedores.

Curiosidades

  • O apelido de "Diamante Negro" foi dado pelo jornalista francês Raymond Thourmagem, da revista Paris Match, maravilhado pela habilidade do brasileiro. Já o apelido de "Homem-Borracha", também dado pelo mesmo jornalista, foi devido a sua elasticidade.
  • Anos mais tarde a empresa Lacta homenageou-o, criando o chocolate "Diamante negro", vendido até hoje. A empresa só pagou dois contos de réis à época, sendo que Leônidas nunca mais cobrou nada pelo uso da marca.
  • A derrota do Brasil na semifinal da Copa de 38, para a Itália, provocou controvérsias na época. Leônidas não atuou devido a uma lesão, porém, o técnico da seleção na época, Adhemar Pimenta, foi injustamente acusado de ter menosprezado a Itália, poupando Leônidas para a final. Na verdade, o matador não tinha condições de jogo, como ficou comprovado depois.
  • Ainda em consequência dessa derrota, o reserva de Leônidas, o jogador Niginho, declarou em 1958, que Leônidas teria forjado sua contusão para não atuar, devido a um suposto pagamento do ditador italiano, o fascista Benito Mussolini. Leônidas acabou processando-o por calúnia, e venceu nos tribunais.
  • Em 1942, em sua chegada a São Paulo, o atleta foi recebido por aproximadamente 10 mil pessoas na estação de trem da Luz.

Clubes

] Títulos

  • Campeonato Carioca (1934) - Vasco da Gama
  • Campeonato Carioca (1935) - Botafogo
  • Campeonato Carioca (1939) - Flamengo
  • Campeonato Paulista (1943, 45, 46, 48 e 49) - São Paulo
  • Copa Rio Branco (1932) - Seleção Brasileira
  • Copa Roca (1945) - Seleção Brasileira
  • 3º lugar na Copa do Mundo (1938) - Seleção Brasileira

] Gols

  • Seleção Brasileira: 37 Gols em 37 Jogos
  • São Paulo: 140 Gols em 211 Jogos
  • Flamengo: 142 Gols em 179 Jogos

Leônidas da Silva

Sem favor nenhum, um dos maiores (se não o maior) centro avante que o futebol brasileiro já teve.
Os mais saudosistas poderão falar em Friedenreich. Outros poderão se lembrar de Ademir de Menezes, de Heleno de Freitas e outros tantos, mas como Leônidas da Silva... Não houve nenhum.
Acabei de ler no jornal "O Lance" de hoje, dia 25/06/2001, uma comovente reportagem sobre esse grande craque, hoje com 87 anos, que se encontra internado na Clinica Geriátrica São Camilo, em estado grave, atacado pelo Mal de Alzheimer. Felizmente a Diretoria do São Paulo F.C. paga todas as despesas hospitalares, garantindo o tratamento deste que foi um de seus melhores jogadores.
Foram inúmeros os títulos que Leônidas ajudou o tricolor paulista ganhar.
Os frios dados estatísticos não valem a pena ser comentados, é fácil consegui-los.
A figura de Leônidas é rica em detalhes interessantes.
O apelido de Diamante Negro caiu-lhe como uma luva. Realmente tinha o valor e consistência de um diamante bruto.
Na Copa do Mundo de 1938, foi o artilheiro máximo e o principal jogador brasileiro. Por estar machucado, não jogou contra a Itália e o Brasil perdeu esse jogo, perdendo a chance de ser o Campeão Mundial. Encantou tanto os franceses, que foi apelidado de Homem de Borracha, tal a elasticidade que mostrava em campo.
Em 1942, quando foi contratado pelo tricolor, naquela que foi durante muito tempo a transferência mais cara do futebol brasileiro, já era veterano. A imprensa paulistana criticou a transferência, dizendo que o São Paulo comprara um "Bonde" (para quem não sabe, naquele tempo, os vigaristas sempre vendiam bondes às suas vítimas), pois se tratava de um jogador em fim de carreira.
Só que Leônidas jogou até 1950 pelo tricolor, sendo sempre o destaque do time, num ataque que ficou mais do que famoso: Luizinho, Sastre, Leônidas, Remo e Teixeirinha.
O importante é que todos aqueles que tiveram o privilégio de ver Leônidas em ação, sempre se lembrarão da qualidade de seu futebol.
Artilheiro por excelência, tinha um "faro" de gol impressionante. Sempre estava na hora certa, no lugar certo. Além disso, era dotado de técnica apurada, e deixava seus marcadores malucos.
Jogador temperamental, empenhava-se com muita dedicação em campo, ao mesmo tempo que sempre arrumava confusão com adversários, com suas provocações geniais.
Nunca engoliu passivamente determinações de diretores ou de técnicos. Sabia o que fazia em campo e o fazia muito bem, mesmo contrariando ordens superiores. E sempre conseguiu êxito.
Suas jogadas mortíferas até hoje são lembradas. Foi o criador da "bicicleta". Essa jogada, aliás, está imortalizada na sala de troféus do São Paulo.
Disputou 8 vezes o Campeonato Paulista, foi campeão em 5 oportunidades e em todos esses títulos teve muito de Leônidas da Silva. Mereceu mesmo ser imortalizado na Sala de Troféus do Morumbi.
Ao encerrar a carreira de jogador, deixando um vazio imenso no coração da torcida, tentou ser técnico, ou dirigente, mas seu temperamento agressivo não permitiu que tivesse êxito nessas funções. Como comentarista esportivo, apesar de seu temperamento forte, conseguiu muito sucesso, tendo ganho diversos prêmios.
Desejo parabenizar o jornal "O Lance" pela belíssima reportagem, resgatando a figura de Leônidas da Silva, hoje recolhido a um leito de hospital.
A figura deste grande jogador mereceu essa homenagem.
Desejo parabenizar também a Diretoria do São Paulo, por estar cobrindo todas as despesas hospitalares e sem fazer alarde ou propaganda disso. O reconhecimento é uma das grandes virtudes humanas. E o São Paulo F.C. deve muito a Leônidas da Silva.
André Ribeiro, autor da biografia de Leônidas, o livro "O Diamante Eterno", também está empenhado na produção de um documentário sobre a vida deste grande jogador; merecendo encômios por esse empreendimento. Temos que mostrar reconhecimento a um grande atleta.
Espero que tenha muito êxito, amigo André Ribeiro.
Tenha muita sorte, Leônidas da Silva e obrigado pelo muito que você fez ao esporte brasileiro.

Diamante de borracha
Leônidas popularizou a "bicicleta", mas fez muito mais, foi o maior craque brasileiro antes de Pelé


Leônidas foi o primeiro astro do futebol profissional no Brasil. Centroavante técnico, veloz, com grande impulsão e elasticidade, ele logo ganhou o apelido de Homem de Borracha, devido a seus lances acrobáticos. Mas foi um lance em especial que entrou para a história: a bicicleta. Se ele foi o inventor da bicicleta ou não, pouco importa. Depois de mostrá-la aos cariocas, Leônidas a apresentou ao mundo no mais importante templo do futebol da época, o Estádio Centenário, em Montevidéu.

Construído para a primeira Copa do Mundo, de 1930, o Centenário estava lotado para o jogo da Copa Rio Branco entre brasileiros e uruguaios, então bicampeões olímpicos e campeões mundiais. O Brasil já vencia por 1 x 0, gol de Leônidas, quando ele lançou uma bola de bicicleta para a direita e correu na área para fazer o segundo gol. Foi um assombro. O brasileiro passou a ser chamado de Diamante Negro e acabou contratado pelo Peñarol aos 19 anos de idade.

O diamante voltou logo a brilhar no Brasil. Foi campeão com Vasco, Botafogo, Flamengo e, por fim, São Paulo. Disputou duas Copas. No Mundial de 34, fez o único gol do Brasil, eliminado ao perder na estréia para a Espanha. Em 1938, tornou-se o grande destaque: foi o artilheiro com oito gols e o melhor atacante da competição, segundo os jornalistas.

Leônidas jogou até os 37 anos, foi garoto-propaganda de vários produtos e, em especial, do chocolate Diamante Negro. Depois virou treinador e comentarista de rádio e TV. Se aposentou após a Copa de 74, quando já se manifestava o mal de Alzheimer. Leônidas da Silva venceu mitos como Ademir, Tostão, Vavá e outros em uma pesquisa de PLACAR para escolher a Seleção Brasileira do Século. Ele vive numa clínica para idosos, em São Paulo.

Ficha completa
Nome:
Leônidas da Silva
Nascimento: Rio de Janeiro, RJ, 6/9/1913
Posição: Centroavante
Clubes em que jogou: Bonsucesso (1930 a 1932), Peñarol-URU (1933), Vasco da Gama (1934), Botafogo (1935 a 1936), Flamengo (1936 a 1942), São Paulo (1943 a 1950)
Títulos: Campeão carioca pelo Vasco (1934) , pelo Botafogo (1935) e pelo Flamengo (1939); campeão paulista (1943, 1945/46, 1948/49) pelo São Paulo

Almanaque
Na memória francesa

Apesar da falta de memória que sempre imperou no futebol brasileiro, Leônidas conseguiu escapar do esquecimento. Pelo menos na França, onde brilhou no mundial de 1938. No dia do jogo entre Brasil e Chile pela Copa de 1998, torcedores colocaram uma faixa no estádio: "Leônidas vive."

Jogos pela seleção: 25
Gols: 25

O primeiro herói - Leonidas da Silva


Em Copas do Mundo, o primeiro herói brasileiro foi o lendário Leônidas da Silva. Na Copa de 1938, o Brasil e o mundo acompanhavam, maravilhados o futebol do Diamante Negro.

O Brasil todo estava com a atenção no rádio. A palavra então pronunciada era estática, ruído chato, que lixava os ouvidos, e fragmentava a narração do locutor Gagliano Neto. A transmissão vinha de Estrasburgo, França, muito longe, e muito sofrida pela ansiedade. Nas Copas de 1930 e 1934, o rádio era um artigo de luxo e não chegara ao povão. Mas, em 1938, geralmente e, formato de igrejinha, ele já era objeto encontrado em todos os lares, talvez a primeira conquista da pobreza nacional. Era um domingo quando Brasil enfrentou a Polônia. Foi a maior tarde do futebol brasileiro até aquela data. E maior também por causa de uma prorrogação que torturou a nação inteira. No tempo normal, 3x3. E a batalha prosseguiu, prejudicada pela estática da transmissão, até o suado 6x5. Na prorrogação, um tal de Leônidas, que já fizera um gol, fez mais dois. E nascia o ídolo que enfim substituiria o famoso Artur Friedenreich.

Leônidas, com 25 anos de idade, nascido no Rio de Janeiro, não era nenhum novato no esporte, inclusive participara da seleção brasileira na Copa de 1934, na Itália. Dias depois do jogo com a Polônia, o Brasil enfrentava a Tchecoslováquia. Era uma tortura ouvir o jogo que terminou com um empate de 1xl, tendo Leônidas marcado o nosso gol. Menos mal. Pelo regulamento da época, em caso de empate deveria haver um novo jogo. No segundo encontro, o Brasil foi constituído de reservas, menos dois titulares, o goleiro Valter e Leônidas da Silva. O Brasil poupava-se para a semifinal contra a Itália, dois dias mais tarde, em Marselha. Desta vez o Brasil venceu os tchecos por 2x1, com mais um gol de Leônidas, terminando o jogo cheio de esperanças
para vencer a Itália. A imprensa internacional apontava o Brasil como um dos favoritos para ganhar a Copa. Bastaria passar pela Itália. Todos os jornais europeus traziam retratos daquele que poderia garantir a nossa vitória, Leônidas, que mais parecia um homem de borracha.

No dia do jogo contra os italianos os brasileiros estavam nervosos. Naqueles tempos, a Itália, m ais que a Alemanha de Hitler, ainda não testada em conflitos bélicos, impunha respeito e temor. O que poderíamos nós contra ela, mesmo no terreno esportivo ? Os otimistas, porém, sorriam: tínhamos Leônidas. Ele vencera a Polônia e Tchecoslováquia. A imprensa afirmava que ele era superior a Zarosi, famoso centro avante húngaro. E infinitamente melhor do que Piola, italiano, que marcara perto de 500 gols.

No dia do jogo uma noticia amarga começou a circular desde cedo. Leônidas não poderia jogar. Estava contundido. Ninguém queria acreditar. Era azar demais. O boato aos poucos tomava formato de noticia verdadeira. No Rio, um torcedor deu um tiro de revólver no rádio ao ouvir a noticia confirmando a ausência de Leônidas na seleção. Os comentaristas, entretanto, entretanto, procuravam injetar otimismo no publico. Nosso time era muito bom. Tínhamos Romeu, que o colunista Thomas Mazzoni considerava melhor que Leônidas. Tim, Patesco, Perácio, Hercules e o grande zagueiro Domingos da Guia. Mesmo sem Leônidas poderíamos vencer. O nome de Leônidas vendera milhares de rádios em poucos dias. Com o volume no máximo veio um choque logo no inicio. Os italianos abriram a contagem. Tudo parecia perdido, mas a seleção disputava todas, mostrando garra. Romeu estava ótimo e depressa empatou o jogo. Jamais a cidade ouvira tantos rojões e o céu parecia pequeno para tanta fumaça. Era um gol com cara de virada. Mas em um lance em nossa área, o juiz apita um pênalti duvidoso cometido pelo zagueiro Domingos da Guia no atacante Piola. 2x1 para a Itália, a desilusão e logo depois o fim do jogo. Ninguém se conformava. Muitos choravam e juravam que nunca mais torceria por futebol.

Nosso ultimo jogo foi contra a Suécia em disputa da terceira colocação. Leônidas jogou, fez dois gols e vencemos por 4x2. Com esses gols, Leônidas se transformou no artilheiro da Copa do Mundo de 1938 com sete gols. Sua volta ao Brasil foi triunfante. Tornara-se um dos três nomes mais populares no pais: Getúlio Vargas |Presidente do Brasil), Orlando Silva (O cantor das multidões) e Leônidas da Silva (o craque da Copa). A publicidade via nele um nome atraente para vender produtos. Os cigarros Leônidas foram lançados com grande estardalhaço pela companhia Sudan, um dos mais importantes fabricantes do pais. Até hoje existe o chocolate Diamante Negro, da Lacta.

No regresso, Leônidas assinou um novo contrato com o Flamengo, ganhando 80 contos de réis por um ano. Comprou um carro por 3 contos de reis e mudou de status. Quando Leônidas se transferiu para o São Paulo, cerca de 10 mil torcedores estavam na estação do Norte para receber o novo ídolo sanpaulino. Finalmente, no dia 24 de dezembro de 1950, um sábado à noite, no estádio do Pacaembu, aconteceu a despedida oficial de Leônidas do futebol.

O Eterno Diamante Negro

Imagens de vídeo aparecem como documentos incontestáveis do talento de jogadores como Garrincha, Pelé, Zico, Gérson, Didi e muitos outros. No entanto, o futebol já era jogado - e muito bem - antes de a televisão estruturar suas transmissões. Assim, as novas gerações ficam esquecidas de gênios do futebol que não puderam ter imagens de seus melhores momentos imortalizadas em fitas de vídeo.

Um desses casos é o do Leônidas da Silva. O Diamante Negro, como ficou conhecido, foi um dos mais empolgantes jogadores de todos os tempos. Atacante veloz, valente, habilidoso e oportunista, marcou época nas décadas de 30 e 40.

Sua carreira no futebol começou no São Cristóvão, em 1930. Seu estilo de jogo e sua habilidade não tardaram a garantir-lhe um lugar na seleção brasileira, dois anos mais tarde, quando tinha apenas 19 anos. E lá se foi aquele rapaz de personalidade forte entrar em campo no estádio Centenário, em Montevidéu, para encarar o Uruguai, campeão da Copa do Mundo e bi-campeão dos Jogos Olímpicos.

O garoto não se intimidou e marcou dois gols, garantindo uma histórica vitória de 2 a 1 para o Brasil, logo em sua estréia. Era o início de uma longa ficha de bons serviços prestados pela seleção brasileira.

Leônidas disputou sua primeira competição importante pelo Brasil em 1934, na Copa do Mundo da Itália. O país, rachado pela briga entre profissionais e amadores, foi um fracasso, perdendo na estréia e sendo eliminado. Para o jogador, restou o consolo de ter marcado o único gol do time.

Quatro anos mais tarde, brilhou na Copa do Mundo da França, saindo com a medalha de bronze, além de ter sido o artilheiro, com oito gols marcados. E mais: foi eleito, posteriormente, o melhor jogador do Mundial.

Sua carreira nos clubes não foi menos vitoriosa. Jogou no Flamengo, no Botafogo e no Vasco, sendo campeão em todos. Em 1942, aceitou o desafio de se transferir para o futebol paulista, indo jogar no São Paulo.

Se a sua estréia (empate por 3 a 3 com o Corinthians) foi decepcionante, o mesmo não pode ser dito do restante de sua passagem pelo Tricolor paulista. Ajudou o clube a quebrar a seqüência de títulos de Corinthians e Palmeiras (na época Palestra Itália) e conquistou cinco vezes o Campeonato Paulista.

Depois de abandonar os gramados, ainda ficou ligado ao esporte. Foi dirigente no São Paulo, posição que ocupou por pouco tempo. Depois, virou comentarista esportivo, onde imprimia o mesmo estilo dos tempos de jogador: direto, duro e polêmico.

Mas sua carreira no rádio teve que ser interrompida por causa da doença degenerativa da qual foi vítima: o Mal de Alzheimer. Seus comentários foram se tornando confusos e por vezes Leônidas esquecia o que estava falando.

Internado em uma clínica de tratamento de idosos em Granja Viana, ele passou seus últimos dias ao lado de sua dedicada mulher. Mas, infelizmente, sua memória, comprometida por causa da doença, cada vez mais se deteriorava. Em 24 de janeiro de 2004, Leônidas se despediu da vida e pôde descansar em paz, após mais de três décadas de muito sofrimento. O Brasil sentirá muito a falta de seu Diamante Negro, o primeiro grande herói do futebol nacional.

LEÔNIDAS, O «Diamante Negro»

Leônidas da Silva, foi a grande estrelas da selecção brasileira de 1938. Um símbolo da nação canarinha, avançado centro, acrobático, expressão de arte, rebeldia e criatividade. Se pensarmos na génese artística dos negros que fizeram grande o futebol canarinho, Leônidas, simboliza, sem dúvida, mais, essa imagem. Como diria Gilberto Freyre, Leônidas teria sido a primeira grande expressão de um futebol emancipado das suas origens britânicas e aristocráticas, ele sim era o verdadeiro futebol brasileiro.
De estatura pequena, 1,65m. de altua, mas com uma agilidade prodigiosa, era o homem borracha jogando futebol. Se dividirmos o futebol brasileiros em três fases distintas de evolução, podemos concluir que Friedenreich foi o herói da fase amadora, Leônidas o herói da era romântica e Pelé o herói da fase do profissionalismo.

Diz-se que ele foi o inventor do pontapé em bicicleta, mas na verdade tal não corresponde á realidade. Onde o gesto nasceu pela primeira vez foi no Chile, e por isso em Espanha e em todos os países da América Latina ainda se chama chilena ao gesto. O seu inventor foi, em 1927, o avançado David Arellano, jogador do Colo Colo, que, anos depois, traria o gesto malabarista para a Europa, numa digressão pela Espanha. Disse-se então que isso era normal no Chile, e que até teria sido num campo do porto chileno de Talcahuano que, tempos antes, um jogador chamado Ramón Unzaga a teria feito pela primeira vez. A acrobacia causou tanta admiração em Espanha que Arellano logo lá ficou a jogar no Valladolid, mas após marcar vários golos suspenso no ar, de costas para a baliza, acabaria por morrer, no estádio do Valladolid, após um violento e fatal choque com um adversário. No Peru, chamam a essa jogada Chalaca, porque defendem ela ter sido inventada por um jogador peruano do Chalaca FC. Na Argentina e no Equador chama-se Tijera. No Brasil, onde ganhou o nome de Bicicleta, antes de Leônidas, já Petronilho de Brito, irmão de Valdemir de Brito, o descobridor de Pelé, executara esse gesto mirabolante.
Uma coisa, porém, é certa, ninguém as executava com tanta perfeição e beleza como Leônidas e seria ele, num tempo em que as comunicações começavam a nascer, a torná-la famosa e todo o mundo. "Nem lembro quando marquei o primeiro golo dessa maneira, mas posso garantir que fazia a jogada desde menino", confessou anos depois.

Era um génio do mais puro futebol da rua. A prová-lo, no Mundial de 38, no jogo contra a Polónia, disputado sob forte chuva e com o campo enlameado, resolveu a certo ponto tirar as botas e jogar descalço porque assim, dizia, jogaria mais confortável. Ao perceber, o árbitro obrigou-o a calcar as chuteiras novamente, cumprindo as regras, mas se fosse possível, Leônidas preferiria jogar sempre descalço.
O passar dos anos iria minar porém a vitalidade do Diamante Negro. A sua velhice seria passada, internado num lar, com a terrível doença de Alzhaimer. Conta sua mulher que muitas vezes, nos últimos anos de vida, acreditou que por breves instantes ele ainda se lembrou de quem era, pois uma vez, quando caminhava amparado num dos corredores, disse em voz tremula e baixa: “Eu sou o Leônidas”. É, de tudo sempre resta um pouco, como diria Drumond.

CARREIRA:

CLUBES ONDE JOGOU:
São Cristovão
Bom Sucesso, 1930 a 1932.
Peñarol-Uriguai, 1933.
Vasco da Gama, 1934.
Botafogo, 1935 a 1936.
Flamengo, 1936 a 1942.
São Paulo, 1943 a 1950.

TITULOS
Campeão Carioca no Vasco, 1934.
Campeão Carioca no Botafogo, 1935.
Campeão Carioca no Flamengo, 1939.
5 Campeonatos paulistas com o São Paulo, 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949.
Vice Campeão do Mundo/ 1938.
Melhor marcador com oito golos no Mundial de 1938.

Zizinho respondeu que jamais se preocupou em montar sua seleção ideal, mas se tivesse que escolher alguém para compôr o elenco de todos os tempos, certamente escolheria quatro jogadores: Pelé, Domingos da Guia, Leônidas da Silva e Nilton Santos.

Johan Cruijff


Johan Cruijff, (25 de Abril de 1947, Amsterdam) foi certamente um dos nomes mais importantes na história de todos os esportes. Seu futebol, revolucionário, tático, ofensivo, coletivo, vistoso e eficiente inspirou muitos jogadores e treinadores a partir das suas extraordinárias atuações no Amsterdamsche Football Club Ajax e principalmente na seleção da Holanda, durante a Copa do Mundo de 1974.

Se hoje, atualmente temos no futebol jogadores polivalentes que podem atuar sem posição fixa no campo, sem prejuízo de suas atuações individuais, muito se deve a este genial craque e não menos ao seu treinador no Ajax e na Seleção Holandesa, Rinus Michels. Mesmo mais de 30 anos passados da Copa do Mundo de 1974, Holanda, Michels e Cruijff sintetizam a última revolução tática na história do futebol e serão para sempre lembrados como sinônimos de futebol total.



Como jogador

Cruijff jogou pelo Ajax, FC Barcelona, Los Angeles Aztecs, Washington Diplomats, Levante Union Deportiva, Feyenoord e New York Cosmos. Como jogador, Cruijff ficou conhecido pelo jogo gracioso, reações rápidas, controle da bola, rapidez, aceleração, capacidade de mudar rapidamente de direção e pela disciplina tática. Foi tido como um dos melhores jogadores de futebol do seu tempo, juntamente com Franz Beckenbauer e Pelé, apesar de não ter ganhado qualquer taça com a sua equipe nacional. Como jogador internacional pela Seleção Neerlandesa de Futebol, fez 48 jogos, nos quais marcou 33 gols.

Os destaques da sua carreira como jogador incluem a vitória da Liga dos Campeões da UEFA por três vezes (1971, 1972 e 1973), com o Ajax), o Ballon d'Or (Jogador Europeu do Ano) por três vezes (1971, 1973 e 1974), e o lugar de vice-campeão do mundo na final do campeonato de 1974 (perdeu a final contra a Alemanha, a qual jogava em casa). Em 1978 ele recusou participar no campeonato do mundo na Argentina onde os Países Baixos foram vice-campeões outra vez. Alguns dizem que sua recusa foi um protesto contra a ditadura militar que vigorava na Argentina. Outros acham que sua esposa, Dani Cruyff, o proibiu; na Copa de 1974 na Alemanha jornalistas fotografaram os jogadores holandeses com mulheres alemãs nuas na piscina do hotel. Receosa, Dani teria proibido Cruyff a ir à Argentina. Também é importante saber que já em 1974 o Cruyff anunciou numa entrevista que iria parar de jogar futebol quando fazia 31 anos, e isso foi em abril de 1978.

Em 1979, um ano depois de parar a jogar futebol, o Cruyff tinha perdido todo o seu dinheiro por causa de investimentos ruíns. Por isso ele resolveu voltar aos campos, começando nos Estados Unidos. Em 1979 atuou pelos Los Angeles Aztecs, e um ano depois foi contratado pelos Washington Diplomats. De 1980 a 1981 Cruyff voltou á Holanda e ajudou o técnico de Ajax, Leo Beenhakker, no seu trabalho. Em março e maio de 1981 ele jogou dez vezes para Levante de Espanha, mas o clube não conseguiu pagar o salário de Cruyff, então ele saiu. Depois ele jogou um torneio com o AC Milan, mas se machucou e perdeu também a temporada nos Estados Unidos. Em dezembro de 1981 Cruyff assinou um contrato com o Ajax, como jogador, e ele voltou aos campos Holandeses no jogo contra Haarlem em casa (4-1, primeiro gol de Cruyff). Nas temporadas 1981-1982 e 1982-1983 o Ajax foi campeão holandês, e no último ano também ganhou a Copa Holandês. Por que o Cruyff já tinha 36 anos, o Ajax recusou oferecer ele um novo contrato, e para mostrar que o clube tinha feito um erro, ele assinou um contrato por um ano com o arquerival Feyenoord. Pela primeira vez em 10 anos o Feyenoord foi campeão holandês, e também ganhou a Copa holandês. No dia 13 de maio 1984, 37 anos de idade, o Cruyff jogou o seu último partido no futebol profissional contra PEC Zwolle, e marcou um gol.

Como treinador

Johan Cruijff treinou dois clubes após a sua carreira de jogador: Ajax e Barcelona. Como treinador levou o Ajax à vitória na Recopa Européia em (1987). No Barça conquistou 4 títulos na Liga Espanhola (1991, 1992, 1993 e 1994) e uma Liga dos Campeões da UEFA (1992).

Como pessoa

Cruijff costumava fumar 20 cigarros por dia antes de sofrer de problemas cardíacos, (foi operado ao coração por duas vezes - cirurgia de ponte de safena ou cirurgia bypass) após o que ele deixou de fumar e começou a usar pastilhas para deixar o cigarro. Foi também figura de cartaz de uma campanha anti-fumantes desenvolvida pelo departamento de saúde do governo catalão.

A supertaça neerlandesa recebeu o seu nome: Johan Cruijff-schaal.

Antes do primeiro jogo pelo Barça, já havia conquistado os torcedores do clube ao declarar que escolheu o time catalão em vez dos rivais do Real Madrid pois não poderia jogar em um clube associado ao ditador espanhol, Francisco Franco.

Como homenagem à Catalunha, batizou seu filho de Jordi, a versão local para "Jorge", nome do santo padroeiro da região. Cruijff só pôde "driblar" a proibição de Franco de manifestações culturais das etnias não-espanholas situadas na Espanha, porque registrou seu filho na Holanda, onde este nasceu.

O filho, Jordi Cruijff, aliás, jogou pelo FC Barcelona, Manchester United, Celta Vigo, Alavés, Espanyol, além de jogar pelas seleções da Holanda e da Catalunha, estando atualmente no Metalurh Donets'k, da Ucrânia. Foi treinado pelo pai no Barça.

Citações

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Durante a sua carreira, Cruijff também se tornou um fenômeno nacional por causa dos seus comentários, alguns dos quais se destacam pelo brilho e pura lógica. A sua forma de discurso foi chamada de "Cruijffiaans" nos Países Baixos. Alguns exemplos:

  • "Os italianos não podem nos vencer, mas nós certamente podemos perder contra eles" ("Italianen kunnen niet van ons winnen, maar we kunnen wel van ze verliezen.")
  • "Sem a bola, você não pode ganhar" ("Zonder de bal kun je niet winnen.")
  • "A velocidade é frequentemente confundida com o discernimento. Quando eu começo a correr antes dos restantes, pareço ser mais rápido" ("Snelheid wordt vaak verward met inzicht. Als ik eerder ga lopen dan de rest, lijk ik sneller.")
  • "Antes que eu faça um erro, eu NÃO FAÇO esse erro" ("Voordat ik een fout maak, maak ik die fout niet.")
  • "Toda a desvantagem tem a sua vantagem" ("Elk nadeel heeft z'n voordeel.")
  • "Para ganhar você tem de marcar um gol a mais do que o adversário" ("Om te winnen moet je 1 goal meer scoren dan je tegenstander")
  • e o seu mais famoso ditado: "o acaso é lógico" ("Toeval is logisch.")
  • "Eu não sou religioso. Na Espanha, todos os 22 jogadores fazem o sinal da cruz antes de entrar no campo. Se funcionasse,sempre seria um empate." (Ik geloof niet. In Spanje slaan alle 22 spelers een kruisje voordat ze het veld opkomen, als het werkt, zal het dus altijd een gelijkspel worden.)

A sua influência na língua espanhola foi o tema do seguinte documentário de 2004: En un momento dado.

  • "E se você marca um gol, é a dentro." (En als je scoort, dan zit ie erin.)

Sobre Cruijff

  • "Johan foi o melhor jogador mas eu ganhei a Copa do mundo'' (Johan war der bessere Spieler, aber ich bin Weltmeister). Franz Beckenbauer

Curiosidades

No mínimo diferente. Revolucionário. Craque. Johannes Cruyff surgiu para o futebol no final dos anos 60 e mudou o conceito que todos tinham a respeito desse esporte.

Veloz, astuto, corria por todo o campo abrindo lacunas para os companheiros. Com a bola nos pés, tinha habilidade e uma noção de espaço fora do comum. Diferente da maioria dos atacantes até então, não esperava a bola chegar, fazia melhor, ia atrás dela.

Estreou na seleção da Holanda com apenas 19 anos. Logo no primeiro jogo, deixou sua marca no empate de 1 a 1 diante da Hungria.

Foi um dos líderes na conquista do vice-campeonato mundial em 1974, com o chamado "Carrossel Holandês". Naquele time, nenhum jogador tinha posição fixa no gramado. Todos rodavam em busca de um melhor posicionamento.

Temperamental, se desentendeu com os cartolas do seu país pouco antes da Copa do Mundo de 1978 e acabou abandonando a seleção.

Em clubes, Cruyff também fez história. Iniciou a carreira no Ajax, em 64. Nove anos depois, já consagrado, foi contratado a peso de ouro pelo Barcelona (na época, a maior contratação da história) e não decepcionou.

Na sua segunda temporada deu ao clube o título espanhol após 14 anos de jejum. De quebra, foi o artilheiro da conquista.

Deixou o Barça em 1978 para jogar nos Estados Unidos, mais precisamente no Washington Diplomats e, posteriormente, no Los Angeles Aztecas.

De 1981 a 1982 regressou à Espanha para defender o Valencia. Depois, ainda passou novamente pelo Ajax e Feyenoord. Em 1988, aceitou o convite para treinar o Barcelona e permaneceu no comando do clube até 1996.

Cruyff ganhou o prêmio de melhor jogador da Europa nos anos de 1971, 1973 e 1974, e ficou com o terceiro posto em 1975.

Atualmente, o holandês trabalha na preparação de atletas em Amsterdã e inaugurou um centro de treinamento na Universidad Deportiva Johan Cruyff.

Clubes nos quais atuou

Ano

Time

1964
a 1973

Ajax
(Holanda)

1973
a 1978

Barcelona
(Espanha)

1979

L. A. Aztecs
(EUA)

1980

W. Diplomats
(EUA)

1981

Levante
(Espanha)

1981
a 1983

Ajax
(Holanda)

1983
a 1984

Feyernoord
(Holanda)