sexta-feira, 24 de abril de 2009

Domingos da Guia


DOMINGOS DA GUIA

Antes de morrer em São Paulo, em 6 de setembro de 1969,Arthur Friedenreich, disse que Domingos da Guia fora o seu craque predileto.

Zizinho respondeu que jamais se preocupou em montar sua seleção ideal, mas se tivesse que escolher alguém para compôr o elenco de todos os tempos, certamente escolheria quatro jogadores: Pelé, Domingos da Guia, Leônidas da Silva e Nilton Santos.

Um craque de uma época em que a televisão nem sonhava existir e o futebol sequer era profissional. O autor mergulha exatamente nesse período e acerta em cheio, mostrando detalhes de uma fase pouco conhecida para todos nós.

"O Divino Mestre" vale como aprendizado e enriquecimento sobre a história futebolística brasileiro. E ainda para conhecer uma das grandes figuras, craque do Flamengo e que escreveu seu nome na história.

Resgatar a memória de um dos mitos do nosso futebol, de quem foi no final da década de quarenta nomeado "o maior jogador brasileiro de todos os tempos", e de um zagueiro que não por acaso ganhou o apelido de " divino mestre".
Esta é a missão cumprida do jornalista inglês Aidan Hamilton neste livro que começou a ser concebido em 1999, durante uma entrevista com Domingos.
Na época, o ex-zagueiro já tinha 87 anos de idade. Ele faleceu seis meses depois e Aidan foi tocado pela curiosidade, decidindo fazer uma pesquisa sobre o jogador que virou lenda não só no Brasil, mas na Argentina e no Uruguai.
O resultado é uma biografia ou mais do que isso segundo Achilles Chirol, que assina o prefácio e que resume a obra da seguinte forma: " ..contrasta com a maioria dos livros escritos sobre craques de futebol. Fala da arte de calar um grito de gol. Ao mesmo tempo desperta exercícios de interpretação que encantam quem ama o futebol. Como jogava Domingos? A quem se assemelhava dos inúmeros zagueiros que vi? Algo parecido com o italiano Baresi, o argentino Basso e o inglês Bobby Moore. Não importa, ele foi único e basta."
Para os torcedores mais velhos, esta biografia é um registro fundamental. Para os mais jovens, uma aula da época romântica do futebol brasileiro, da transição do amadorismo para o profissionalismo. E para o leitor curioso é a história de um homem que, com sua fé e sua destreza atlética, ganhou provavelmente de Mário Filho, o apelido perfeito: Divino Mestre.

Domingos Antônio da Guia (Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1912 — Rio de Janeiro, 18 de maio de 2000) foi um dos mais importantes futebolistas do Brasil, tendo sido revelado pelo Bangu Atlético Clube, assim como três irmãos e seu filho.

Zagueiro clássico e de execelente técnica é apontado como uns dos melhores do futebol brasileiro. Também foi pai de Ademir da Guia, maior ídolo da história do Palmeiras e irmão de Ladislau da Guia, o maior artilheiro da história do Bangu (com 215 gols), clube que revelou as duas gerações de craques para o futebol brasileiro .

Além do Bangu e da Seleção Brasileira, Domingos da Guia jogou ainda no Club Nacional de Fútbol, Vasco da Gama, Clube de Regatas do Flamengo, Sport Club Corinthians Paulista e Boca Juniors.

Numa época em um beque bom era aquele que entrava duro e dava chutões para a frente, o zagueiro Domingos Antônio da Guia, marcava a bola, que geralmente matava no peito para, em seguida, driblar os atacante adversários dentro da área e fazer um passe milimétrico em direção ao meio campo. Não é atoa que Domingos é considerado o maior zagueiro do futebol brasileiro em todos os tempos.

Começou jogando no Bangú em 1929. Depois se transferiu para o Nacional de Montevidéu onde conquistou o titulo de campeão uruguaio de 1933. Voltou ao Brasil para jogar no Vasco e foi campeão carioca em 1934. Saiu novamente para vestir a camisa do Boca Junior e outra vez foi campeão argentino de 1935. A próxima camisa foi a do Flamengo. No clube da Gávea foi campeão carioca nos anos de 1939. 1942 e 1943. Já veterano defendeu o Corinthians Paulista e encerrou sua carreira onde começou, no Bangú. Jogava de cabeça erguida, tinha uma perfeita noção de colocação e se destacava pela antecipação nas jogadas. Por seu futebol quase perfeito, tinha o apelido de Divino.

Vestiu a camisa da seleção brasileira em trinta partidas. Disputou vários campeonatos sul-americanos mas nunca foi campeão. Participou da Copa do Mundo de 1938 e ficou em terceiro lugar. Seguindo os passos e a tradição do pai, Ademir da Guia foi um dos mais clássicos e elegantes jogadores do nosso futebol. Domingos da Guia nasceu no dia 19 de novembro de 1912 no Rio de Janeiro, e morreu no dia 18 de maio de 2000.

A grande jogada de Domingos da Guia foi num Flamengo e Botafogo, em Álvaro Chaves. Ele não gostava de se exibir ou, pelo menos, parecia que não gostava, que fazia apenas o indispensável. Só na hora em que deveria surgir, esticar o pé, fazer alguma coisa, é que se mexia, é que dava sinal de vida. Por isso saía de campo com a camisa enxuta, naquele passo de samba à valsa lenta. Nesse Botafogo e Flamengo foi diferente, fez questão de ser diferente. Também tinha levado a maior vaia de sua vida. Primeiro levou uma vaiazinha: rebateu uma bola para fora. O sócio do Fluminense achou que Domingos da Guia não podia rebater uma bola para fora, e embora fosse uma homenagem, Da Guia se ofendeu. Então fez um gesto feio para a social do Fluminense. Nem queriam saber. Para dar uma idéia: Mário Pólo exigiu, aos gritos, a prisão do Mestre Da Guia.

Domingos não foi preso. Antes dele outros jogadores tinham feito o mesmo gesto e ficaram soltos. Mas num Da Guia ninguém admitia isso. E ele compreendeu que tinha sido outro, que tinha se diminuído, que precisava voltar a ser, e imediatamente, o Mestre Da Guia. E foi o que ele fez. Pegou uma bola a um metro do gol do Flamengo, pisou nela e chamou todo ataque do Botafogo para cima dele. E lá foram os cinco, com Heleno na frente, Geninho foi último. A torcida do Flamengo virou o rosto. Nem queria ver. A do Fluminense é que olhava fascinada para o Domingos contra cinco. E Da Guia deu o primeiro drible de milímetros, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto. Depois estendeu um passe de cinqüenta metros para Vevé, lá na ponta esquerda.

A bola passou por cima das cabeças dos jogadores do Botafogo, que pularam e esticaram o pescoço o mais que podiam sem tocá-la. E lá foi a bola imaculada, cair feito um ramo de flores, aos pés de Vevé. Então Domingos da Guia se voltou para a social do Fluminense, perfilou-se, depois se curvou e estendeu o braço direito num daqueles cumprimentos rasgados que exigem um chapéu com penacho para varrer o chão. Eu só vi a alta burguesia das Laranjeiras ficar de pé e aplaudir em palmas de queimar as mãos. Pois é: e parece que Domingos da Guia nunca existiu. Ninguém fala mais nele.

Domingos da Guia

por Marcial Salaverry

Barbosa, depois Cláudio, agora , foi o inesquecível Domingos da Guia...

Parece que estão montando uma grande Seleção Brasileira para algum campeonato intergalático. Sem dúvida estaremos bem representados. Nossos grandes ídolos estão partindo... É a lei da vida... Vão-se as pessoas, mas ficam as lembranças. Domingos, o Divino, agora mais divino do que nunca...

Com suas jogadas clássicas e mágicas, fazia o que queria com a bola, que sempre obedecia a seus desejos. Alguém poderá lembrar de seu erro na Copa de 1938, ao cometer o pênalti sobre Piola. Acontece que nossos jogadores nunca foram corretamente instruídos sobre as regras do International Board, e ele não poderia saber que, mesmo sem estar a bola em jogo, o juiz apitaria pênalti naquela jogada. Mas vamos esquecer isso, e somente lembrar sua classe indiscutível. Domingos da Guia nunca cometeu faltas maldosas. Sempre saia jogando com classe, com categoria. Domingos era tão bom que deixou sua classe mais um bom tempo em campo, mesmo após pendurar as chuteiras. Foi um dos poucos grandes craques que permaneceu em campo, através de seu herdeiro. Ademir da Guia continuou a desfilar a mesma classe de seu pai. Em outra posição, mas com a mesma categoria.

Mestre Domingos, sem dúvida alguma, você será o grande titular dessa Seleção Divina. Fica aqui expressa a saudade de todos aqueles que tiveram a sorte de ver algumas de suas jogadas, ou que simplesmente ouviram falar de suas obras de arte. Descanse em paz.

Domingos da Guia: o primeiro zagueiro clássico brasileiro

Por Marcelo Belpiede

Domingos da Guia deve ser colocado ao lado dos zagueiros mais habilidosos do futebol brasileiro. Evidências não faltam para constatar que essa afirmação é verdadeira. Campeão nos três principais centros do futebol da América do Sul (Argentina, Uruguai e Brasil), o zagueiro carioca deu origem ao termo “domingada”, que ao longo do tempo ganhou sentido pejorativo, mas também ilustra a genialidade do jogador.

Numa época em que os zagueiros se notabilizavam pela truculência e falta de técnica, Domingos deixava os torcedores com frio na espinhas ao preferir driblar adversários dentro da grande área do que dar chutões para frente após um desarme. Uma característica inédita para a década de 30 e que marcou o jogador como o primeiro zagueiro clássico do futebol brasileiro.

O pioneirismo de Domingos da Guia fez escola apesar da desconfiança inicial. Muitos beques da época tentaram imitá-lo, mas poucos tinham a elegância e a técnica natural do mestre. Logo, quando um zagueiro enfeitava em sua grande área sem a mesma eficiência do precursor, ele havia feito uma “domingada”, termo até hoje utilizado em lambanças de beques brasileiros.

Sem fronteiras: Domingos da Guia nasceu no Rio de Janeiro no dia 19 de novembro de 1912. Dezessete anos mais tarde, foi descoberto em peladas na zona rural carioca e passou a defender o Bangu. Em 1930, pela primeira vez foi convocado pela seleção brasileira e no ano seguinte já fazia parte do Vasco.

Já conhecido por suas características opostas a de um zagueiro convencional, o beque chamou a atenção dos uruguaios e em 1933 teve uma passagem vitoriosa pelo Nacional de Montevidéu. Campeão nacional, Domingos recebeu o apelido de “El Divino Mestre” e recebeu até uma proposta se naturalizar uruguaio e defender a Celeste na Copa de 1934.

Apesar do sucesso imediato, Domingos retornou ao Brasil no ano seguinte e foi campeão carioca pelo Vasco. Ídolo da torcida cruz-maltina, o Divino Mestre então recebeu um convite para jogar no Boca Juniors da Argentina. Aberto a desafios, o zagueiro mais uma vez atravessou a fronteira e garantiu o titulo argentino de 1935.

Assim como em Montevidéu, sua passagem por Buenos Aires foi curta e no ano seguinte ele estava de volta ao Rio de Janeiro, mas desta vez vestindo uniforme rubro-negro. Na melhor fase de sua carreira, Domingos defendeu o Flamengo até 1943, acumulando mais três títulos cariocas (1939, 1942 e 1943).

Consagrado como o melhor zagueiro do Brasil, o Mestre então conheceu o futebol paulista e jogou pelo Corinthians entre 1944 e 1947. Nos dois anos seguintes, já em fim de carreira, voltou às origens e aumentou o brilho do Bangu antes de enfim pendurar as chuteiras.

Domingos também é protagonista de um dos casos de pedigree mais bem-sucedidos do futebol brasileiro. Pai de Ademir da Guia, o zagueiro viu o filho jogar de meia e tornar-se o principal jogador da história do Palmeiras, herdando inclusive o apelido de “Divino”.

Domingos da Guia faleceu no dia 18 de maio de 2000, aos 87 anos, vítima de derrame cerebral. Como legado, deixou a certeza de que um zagueiro pode ser sinônimo de estilo clássico, categoria, tranqüilidade e elegância, como bem provaram Djalma Dias, Luís Pereira, Franz Beckenbauer, Figueroa, Maldini, entre muitos outros.

Mestre em dia de domingada: A rotineira classe de Domingos da Guia deu lugar a uma ‘domingada’ logo no jogo mais importante da carreira do Mestre. Em plena semifinal da Copa do Mundo de 1938, o zagueiro revidou um chute do atacante Piola e cometeu o pênalti que garantiu a vitória da Itália em cima do Brasil por 2 a 1.

“Não tive paciência. Levei um pontapé do italiano e revidei. O árbitro marcou pênalti. Aí perdemos a Copa”, resume. A derrota tirou o Brasil da decisão contra a Hungria na melhor campanha do Brasil em Mundiais até então: terceiro colocado após a vitória diante da Suécia. Domingos nunca se conformou com o lance e lamentava a falta de critério do árbitro, que em sua visão teria de ter marcado falta de Piola. Ele conta que a Itália foi favorecida pela arbitragem durante toda a competição, principalmente porque o líder fascista Benito Mussolini estava presente em todas as partidas e usou a vitória italiana como propaganda do regime totalitário.

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