sexta-feira, 24 de abril de 2009

Arthur Friedenreich


Arthur Friedenreich

A Fifa reconhece o mulato de olhos verdes do bairro da Luz como o maior artilheiro do futebol mundial, com 1329 gols, 51 a mais que os marcados por Pelé. Fried nunca perdeu um pênalti na carreira


Raio X
O perfil do ídolo
Nome: Arthur Friedenreich
Nascimento: 18 de julho de 1892
Morte: 6 de setembro de 1969
Número de gols marcados: 1.329
Clubes: Germânia, Mackenzie, Ipiranga, Paissandu, Paulistano, Flamengo, São Paulo e Santos
Títulos: sete campeonatos paulistas, quatro brasileiros, dois sul-americanos
Número de torneios em que foi o artilheiro: 23

Arthur Friedenreich (São Paulo, 18 de Julho de 1892 — São Paulo, 6 de setembro de 1969) foi um jogador brasileiro de futebol. Apelidado "El Tigre", "Fried" ou "Le Danger", foi a primeira grande estrela do futebol brasileiro na época amadora, que durou até 1933.

Segundo estatisticas da CBF, ele fez mais gols que Pelé. Era conhecido como de "El Tigre" e Participou da excursão do Paulistano pela Europa em 1925 onde disputou dez jogos e voltou invicto. Teve importante participação no Campeonato Sul-Americano de Seleções (Copa América) de 1919. Ele marcou o gol da vitória contra os uruguaios da decisão e, ao lado de Neco, foi o artilheiro da competição. Após o feito suas chuteiras ficaram em exposição na vitrine de um loja de jóias raras no Rio de Janeiro.

Biografia

Descendente de alemães, Arthur Friedenreich nasceu no bairro da Luz em São Paulo e aprendeu a jogar bola com bexiga de boi. Poucos anos depois de Charles Miller chegar ao país, em 1894, trazendo o futebol como novidade, o Brasil revelou seu primeiro ídolo. Hoje em dia, são poucos aqueles que viram Friedenreich brilhar nas décadas de 1910 e 1920 e 1930.

Jogador de futebol paulista, "Fried" começa a jogar futebol ainda adolescente na cidade de São Paulo, nos clubes Germânia (atual E.C. Pinheiros), Mackenzie, Ypiranga e o Paulistano , que hoje são apenas clubes sociais e já não atuam no futebol profissional. Começa a se destacar pela imaginação, técnica, estilo e pela capacidade de improvisar. O apelido de "El Tigre" foi dado pelos uruguaios após a conquista do Campeonato Sul-Americano de 1919, atual Copa América.

A sua posição de origem foi a de centroavante. "El Tigre" acabou introduzindo novas jogadas no ainda menino futebol brasileiro, na época ainda amador, como o drible curto, o chute de efeito e a finta de corpo. Foi campeão paulista em diversas oportunidades pelo clube Paulistano. Também atuou pelo São Paulo Futebol Clube da Floresta, precursor do atual São Paulo Futebol Clube (que embora use o mesmo distintivo e o mesmo uniforme é uma equipe diferente, pois a anterior foi literalmente comprada pelo Clube de Regatas Tietê, que a absorveu), conquistando mais um campeonato paulista em 1931. O time do São Paulo campeão naquele ano ficou conhecido por "Esquadrão de Aço", e era formado por Nestor; Clodô e Bartô; Mílton, Bino e Fabio; Luizino, Siriri, Araken e Junqueirinha.

Depois de ter jogado em 1917 no Flamengo Friedenreich volta ao Rio na década de 30 para de novo jogar pelo Flamengo.

Era considerado pelos cronistas da época um jogador inteligente dentro de campo. Friedenreich talvez tenha sido o jogador mais objetivo e um dos mais corajosos de sua época. Parecia conhecer todos os segredos do futebol e sabia quando e como ia marcar um gol.

Nos dias atuais é considerado um dos maiores centroavantes que o Brasil já teve. No ano de 1925, voltou da Europa como um dos "melhores do mundo", depois de vencer, pelo Paulistano, nove dos dez jogos disputados. Um de seus mais incríveis feitos, ocorrido em 1928, foi a marca de sete gols numa única partida contra o União da Lapa, batendo o recorde da época. Ele jogava pelo Paulistano e o resultado final foi de 9 a 0, no dia 16 de setembro. A curiosidade fica por conta do pênalti perdido por Fried. Encerrou a carreira no Flamengo, em julho de 1935, aos 43 anos de idade. Depois de abandonar os gramados, viveu na pobreza um bom tempo até morrer em 6 de setembro de 1969, em uma casa cedida pelo São Paulo.

Curiosidades

· Outra característica marcante da personalidade de Friedenreich era seu caráter questionador. Em 1932, engajou-se na Revolução Constitucionalista de 1932, doando troféus, medalhas e prêmios em benefício da causa.

· O fato de ser descendente de alemães ajudou Friedenreich na carreira. Mulato, só assim ele pôde jogar nos grandes clubes frequentados pelos brancos da elite.

· Uma excursão do Paulistano à Europa em 1925, deu a ele a chance de participar de um marco histórico do futebol do país. No dia 15 de março, pela primeira vez, um time brasileiro jogava no exterior. Ele comandou a goleada de 7 a 2 na França, que deu início a uma série de outras vitórias. E é apelidado de "roi du football" (rei do futebol).

· Também foi contra a profissionalização do futebol no país. A partir dos anos 30, o futebol passou a caminhar rumo ao profissionalismo. A idéia não agradou Friedenreich, que recusou proposta do Flamengo, seu último clube, de continuar atuando, e abandonou os gramados após fazer sua última partida no dia 21 de julho de 1935.

· Uma atitude infeliz do presidente da Liga Paulista, Elpídio de Paiva Azevedo, causou uma das maiores decepções de Friendenreich na carreira. Ao saber que a comissão técnica da Seleção não teria nenhum paulista, o dirigente impediu a ida dos jogadores do estado para a Copa do Mundo, no Uruguai. Assim, "El Tigre" encerrou a carreira sem sentir o sabor de disputar um Mundial.

· A polêmica em relação aos gols de "El Tigre" se deve à soma de um erro com uma falta de critério por parte do Jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva, o De Vaney. Acontece que o "velho Oscar", pai de Fried, começou a anotar em pequenos cadernos todos os gols marcados pelo filho desde que começou a atuar. Em 1918, o atacante confiou a tarefa a um colega do Paulistano, o center-forward (centroavante) Mário de Andrada, que seguiu a trajetória do craque por mais 17 anos, registrando detalhes das partidas até o encerramento da carreira de Fried, em 21 de julho de 1935, quando ele vestiu a camisa do Clube de Regatas do Flamengo (mas não marcou gols) num 2 x 2 contra o Fluminense. A lenda ganhou consistência em 1962. Naquele ano, Mário de Andrada disse a De Vaney que tinha as fichas de todos os jogos de Fried, podendo provar que o craque atuara em 1.329 partidas, marcando 1.239 gols. Andrada, porém, morreu antes de mostrar as fichas a De Vaney. Mesmo sem nunca comprovar esses dados, De Vaney resolveu divulgá-los, mas erroneamente inverteu o número de gols para 1.329. A estatística, no entanto, começou a rodar o mundo, e ainda por cima na forma errada. No livro Gigantes do Futebol Brasileiro, de Marcos de Castro e João Máximo, de 1965, consta que Fried marcou 1.329 gols. Outros livros e até enciclopédias referendaram o registro. A FIFA, entidade máxima do futebol, chegou a "oficializar" os números, até que enfim, Alexandre da Costa conferiu os registros de todos os jogos de Fried em pelo menos dois jornais, "Correio Paulistano" e "O Estado de S. Paulo", e chegou a dois números surpreendentes: 554 gols em 561 partidas. "Não quis destruir o mito", jura o autor de O Tigre do Futebol. "Adoro o Fried. Apenas quis esclarecer essa questão". O problema é que não esclareceu completamente. Em Fried Versus Pelé (Orlando Duarte e Severino Filho), publicado semanas depois de O Tigre do Futebol, o jornalista Severino Filho chega a outros números: 558 gols em 562 partidas. "Não há levantamento estatístico que não possa ser melhorado", escreve o autor de O Tigre do Futebol. É verdade. Mesmo nos dias de hoje, com mais recursos disponíveis, as discrepâncias prosseguem.

Seleção Brasileira

Sua estréia na seleção se deu no ano de 1912 em um amistoso contra a seleção paulista, quando o escrete brasileiro venceu por 7 X 0 com dois gols de "Fried". Sua despedida aconteceu em 1935, em um jogo contra o River Plate no dia 23 de fevereiro, no qual o Brasil ganhou por 2 X 1. Friendenreich fez pela seleção principal 23 jogos e marcou 12 gols. Já na seleção de veteranos, em 1935, disputou 2 jogos e marcou 2 gols. No ano de 1914 ganhou o primeiro título do Brasil na história: a Copa Rocca. Outras conquistas importantes que conseguiu foram os sul-americanos de 1919, marcando o gol do título na prorrogação contra os uruguaios, e 1922.

Títulos

· Campeão Paulista - Paulistano - 1918, 1919, 1921, 1926, 1927 e 1929

· Campeão Paulista - São Paulo da Floresta - 1931

· Campeão da Copa Rocca - Seleção Brasileria - 1914 - (Primeiro da história da Seleção)

· Campeão Sul - Americano (atual Copa América) - Seleção Brasileira - 1919 e 1922

Artilharia

· Campeonato Paulista - Mackenzie - 1912

· Campeonato Paulista - Paulistano - 1914

· Campeonato Paulista - Ypiranga - 1917

· Campeonato Paulista - Paulistano - 1918

· Campeonato Paulista - Paulistano - 1919

· Campeonato Paulista - Paulistano - 1921

· Campeonato Paulista - Paulistano - 1927

· Campeonato Paulista - Paulistano - 1929

Gols

Entre 1909 e 1935:

· 555 gols em 562 partidas; Alexandre da Costa (RSSSF (The Rec.Sport.Soccer Statistics Foundation.) e RSSSF Brazil 2002)

· 554 gols em 561 partidas - Alexandre da Costa (Livro: "O Tigre do Futebol")

· 558 gols em 562 partidas - Orlando Duarte e Severino Filho (Livro: "Fried versus Pelé")

Obs: Como se pode ver, o número de gols varia. Realmente, é muito difícil ter a conta exata de gols e jogos de Friedenreich, em especial pelo fato de que na época os jornais davam mais destaque até à criação de pombos que ao futebol. Sendo assim, muitos jogos nunca foram registrados ou, se foram, não possuem detalhes como o placar ou quem marcou os gols. O trabalho realizado por Alexandre da Costa pesquisando os jornais "Correio Paulistano" e "O Estado de São Paulo" chegou a 554 gols em 561 jogos. Contudo, em boa parte daquelas partidas constam apenas seus resultados, não quem fez os gols. O que não impede, de acordo somente com esses dados, que "El Tigre" tenha marcado bem mais gols que os encontrados pelo pesquisador. De qualquer forma, os números efetivamente registrados ficam em torno de 550 gols em 560 partidas, ou seja, a conta de mais de 1.329 gols (ou 1.239 como dizem outros), considerada pela FIFA como oficial, não é levada mais a sério por boa parte da imprensa, embora ainda possua seus ferrenhos defensores. Os números hoje considerados como os corretos ainda concedem ao craque uma média impressionante: 0,98 gols por partida, maior até que a de Pelé, que é de de 0,93.

Clubes

· 1909 - Germânia

· 1910 - Ypiranga

· 1911 - Germânia

· 1912 - Mackenzie

· 1913 - Ypiranga

· 1913 - Americano

· 1913-1914 - Paulista

· 1914 - Atlas

· 1914-1915 - Ypiranga

· 1915-1916 - Paysandu

· 1916 - Paulistano

· 1917 - Ypiranga

· 1917 - Flamengo

· 1917-1929 - Paulistano

· 1929 - Internacional

· 1929 - Atlético Santista

· 1930 - Santos

· 1930-1933 - São Paulo da Floresta

· 1933 - Dois de Julho (BA)

· 1934-1935 - São Paulo

· 1935 - Santos

· 1935 - Flamengo

Arthur Friedenreich, El Tigre

De como o fabuloso Friedenreich, um fogoso mulato de olhos verdes,se fez passar por branco e marcou tantos gols que até ele acabou perdendo a conta.

OS 1239 GOLS DE "EL TIGRE"

Um craque maior que Pelé? Mais fino do que Di Stefano? Mais boemio do que Heleno? Do grande Friedenreich se diz tudo isso e muito mais. Com suas façanhas, comeca uma nova série: as lendas e mistérios do futebol brasileiro.

Uma dúvida terrivel desafia os raros historiadores do futebol brasileiro há quase meio seculo, quando a genialidade do grande Arthur Friedenreich comecou a entrar num lento e patético processo de decadência que, anos depois, terminaria por levá-lo a se esquecer do seu próprio nome. Talvez a incerteza nunca venha a ser suficientemente esclarecida. Pois quem é capaz de provar, de modo irrrefutavel, quantos gols marcou em sua carreira, que atravessou quatro décadas, esse bailarino mulato de olhos verdes, cabelos alisados e pés magicos?

Ninguém, provavelmente. O registro de seus incontáveis gols - que se acredita terem ultrapassado de muito a barreira dos mil - foi levado por um caminhão de lixo da Prefeitura de Santos, em 1962, entre restos apodrecidos de comida, latas vazias e papéis inúteis. Perdido, portanto, para sempre.

Suas glórias e façanhas, que hoje poderiam fazer parte da memória da cultura nacional, transformaram-se então numa coleção de lendas fantásticas e numa antologia de histórias maravilhosas. Se houvesse meios de recuperar tais registros, Friedenreich sem duvida se consagraria perante a posteridade como o maior jogador que o mundo conheceu antes do aparecimento de Pelé.

Dentro e fora do Brasil, no entanto, nao falta quem ainda lhe reconheça tamanha grandeza. No ano passado, por exemplo, uma respeitada obra de referência sobre o futebol - The Encyclopedia of World Soccer, editada nos Estados Unidos por Richard Henshaw - dedicou-lhe um espaço igual ao do argentino Alfredo Di Stefano e maior do que o do holandes Johann Cruijff, figuras obrigatórias em qualquer relação das principais estrelas do esporte neste século. Lá está a definição, com todas as letras: "Foi o maior artilheiro da história do futebol, com seus 1329 gols".

É uma imprecisão, infelizmente. A propagação do equívoco se deve a um pequeno deslize cometido pelo jornalista carioca João Maximo no apaixonante texto sobre Friedenreich que escreveu no livro "Os Gigantes do Futebol Brasileiro", publicado no Rio de Janeiro, em 1965. Ele assegurou, baseando-se nas pesquisas do veterano jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva, o De Vaney, que Friedenreich teria marcado os 1329 gols, devidamente registrados na ex-CBD e reconhecidos pela FIFA.

Seria realmente um imbatível recorde mundial, mesmo porque Pelé completou a inalcançável marca de 1284 gols, esses sim, registrados e reconhecidos. Houve aí, além do mais, uma troca de algarismos. Segundo De Vaney, que em 55 anos de trabalho reuniu mais de 30 mil fichas sobre futebol - o que lhe permitiu, entre outras coisas, precisar o momento da marcação do milésimo gol de Pele' -, Friedenreich disputou 1329 jogos. E assinalou 1239 gols. De Vaney, pessoalmente, tem absoluta confiança nos resultados das duas estatísticas. Só que nao pode comprová-las.

A história desses numeros começa, a rigor, junto do sucesso do próprio Friedenreich. Tao logo percebeu seu talento para jogar com bola de capotão em peladas improvisadas nas ruas mal calçadas do bairro paulistano da Luz - onde nascera a 18 de julho de 1892, na esquina das ruas Vitória e Triunfo, nomes que profetizaram seu destino esportivo -, o comerciante alemão Oscar Friedenreich resolveu acompanhar de perto os passos do filho.

O futebol, que continuava uma novidade, fora trazido ao Brasil em 1894 pelo estudante paulista Charles Miller, de volta de uma viagem de dez anos à Inglaterra. Praticado a princípio nos ambientes fechados dos chamados clubes elegantes de São Paulo e do Rio de Janeiro, sobretudo os que congregavam colonias estrangeiras, nao demorou para que o jogo se difundisse nas várzeas. O futebol, de qualquer maneira, custou a se popularizar. Clubes como América, Fluminense, Rio Cricket, Germania, Paulistano e São Paulo Athletic, que participaram dos campeonatos principais das duas cidades, tinham entre seus jogadores apenas filhos de boas famílias, com título de doutor e pele invariavelmente branca.

Isso poderia ser um obstáculo para o jovem Arthur Friedenreich, que herdara da mãe, uma lavadeira mulata, as características raciais que fizeram dele um mestiço. Mas nao foi. Com 17 anos incompletos, arranjou uma vaga no time do Germania, onde receberam sem problemas aquele rapaz magricela de jogo habilidoso e de cabelos que lembravam os de um europeu. Embora fossem naturalmente ondeados, ele os alisava com pacientes aplicações de gomalina, uma espécie de brilhantina, e de toalhas quentes. Tratava-se de um processo demorado, mas eficiente: Friedenreich, sempre o último a entrar em campo, por causa dos cuidados com o penteado, chegou a ser considerado um branco. Bronzeado, porém branco. Foi o preço que pagou para que lhe fossem abertas as portas do nascente e elitista futebol brasileiro. Agora não mais um mulatinho de um bairro da baixa classe média, eis Friedenreich fazendo gols em cima de gols pelos clubes por onde passava: Mackenzie, Paulistano, Germania outra vez, e bem depois São Paulo e Flamengo.

Pai cioso, o velho Oscar, que nunca perderia o sotaque, comecou a anotar os gols de seu filho, selecionando as súmulas dos jogos, e não se cansava de comentar com os amigos: "Pézinho de Arthur vale ourrrro..." Prosseguiu anotando até 1918, quando Friedenreich, já maduro e famoso, transferiu-se para o Paulistano, o aristocrático clube do Jardim América em que ele viveria os mais fulgurantes e inesquecíveis momentos de sua carreira. A partir daí, passou a incumbência a um de seus novos companheiros de equipe, Mario de Andrade, que nao era parente de seu homonimo escritor. Mario, que logo se tornaria seu amigo, cumpriu a missão ao longo de 17 anos.

Enquanto cada um de seus jogos ia sendo documentado, Friedenreich projetava-se como uma celebridade nacional, dimensão que atingiu durante o Sul-Americano de 1919, realizado no Rio. Tudo contribuiu para que ele virasse ídolo do país inteiro: suas belíssimas atuações, o gol histórico na segunda prorrogação da final contra o Uruguai e, como pano de fundo, o crescente entusiasmo popular pelo futebol, que virava uma paixão brasileira. Com a vitória da Seleção e a inauguração do estádio do Fluminense, palco do campeonato, o público das grandes partidas passou de 4 mil para 20 mil espectadores.

Amador-marrom, pois o profissionalismo só seria oficializado em 1933, Friedenreich - chamado durante o Sul-Americano, pelos jornalistas argentinos e uruguaios, de "El Tigre" e de "El namorado de la America" - resolveu desfrutar de um outro tipo de vida. Vestia com aprumo seus ternos de linho irlandês S-120, bebia sua cerveja Sul-América, sorvia a noite seu conhaque francês na Confeitaria Vienense, perfumando o ambiente com o suave aroma de sândalo que se desprendia dos caríssimos cigarros "Pour la Noblesse", percorria os cabarés da madrugada paulistana e, naturalmente, acordava tarde no dia seguinte. No vestiário, enquanto esperava que a gomalina secasse nos cabelos, nao dispensava um traguinho. E alguém se importava? Magro (52 kg), alto (1,75 m), ágil, sutil, inteligentíssimo, com uma habilidade desconcertante, ele exibia preparo físico suficiente para jogar o futebol que se praticava naqueles anos românticos. Mesmo no fim da carreira, obrigado a enfrentar zagueiros violentos como Zezé Moreira, nao lhe faltou jamais jogo de cintura para fugir dos pontapés. Ou para marcar centenas e centenas de gols.

Quantos, precisamente? "Veja aqui, foram 1239", Mario de Andrade revelou um dia ao jornalista De Vaney, mostrando-lhe 1329 sumulas. De Vaney ficou excitado com a descoberta, pois ali estavam transcritos os detalhes técnicos não apenas de partidas oficiais, de campeonatos, como também dos inúmeros amistosos que Friedenreich disputou por vários clubes, no Brasil inteiro, para ganhar dinheiro. Mas Mário de Andrade preferiu não entregar imediatamente o tesouro para o jornalista. Pretendia rever tudo e, depois sim, passaria o material para suas mãos, esperando que ele divulgasse os números e os registrasse na FIFA e na CBD. Alguns dias após essa conversa, Mário de Andrade morreu. De Vaney, passada uma semana, procurou a viúva. Era tarde. Apesar de uma busca exaustiva pela casa inteira, os papéis nunca mais foram localizados - haviam sido despejados no lixo, pois a familia, desinteressada em futebol, achou que eram coisa velha e sem serventia.

Mesmo assim, De Vaney publicou - sem provas - os resultados de sua descoberta no jornal Tribuna de Santos. Houve repercussoes e desmentidos, o maior deles partindo do lendario Thomaz Mazzoni, o Olimpicus de A Gazeta Esportiva, de São Paulo. Só uma pessoa poderia esclarecer o mistério. Foram encontra-la em sua casa, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Ele respondeu às perguntas com palavras vagas, os olhos verdes sem vida voltados para um ponto indefinido, as mãos esfregando os cabelos impecavelmente alisados. Morreria alguns anos mais tarde, a 6 de setembro de 1969, sem se lembrar de seus gols, de suas glórias e de seu nome: Arthur Friedenreich.


Arthur Friedenreich (1892-1969)

Nascido em 18/07/1892 filho de um imigrante alemão com uma lavadeira negra filha de ex-escravos este mulato alto, esguio, cabelos crespos e olhos verdes foi primeiro grande craque do futebol brasileiro, atacante de dribles curtos e rápidos, ágeis deslocações, criativo, habilidoso e de um forte chute preciso com ambos os pés além de fazer arte dos primórdios da história de nosso futebol é o grande detentor de recordes e marcas únicas, campeão sulamericano ( atual Copa América) em 1919 e 1922 pela seleção brasileira (os dois primeiros títulos do Brasil) foi dele o gol da vitória por 1x0 contra o Uruguai em 1919, sua técnica aliada à sua raça rendeu-lhe o apelido de "El Tigre" entre nossos adversários argentinos e uruguaios, é dono da mais longa carreira dentro do futebol pois por 26 anos atuou por diversas equipes até encerrar a carreira aos 43 anos em 1935, foi nove vezes artilheiro do campeonato paulista marca que só foi quebrada quase três décadas depois por Pelé e embora hajam controvérsias é o maior artilheiro da história do esporte com a marca de 1329 gols oficializada pela FIFA e registrado no "Guinnes, O livro dos recordes" com base em dados apresentados pelo autor Mário Viana, as controvérsias ocorrem já no fato de que nem todos os gols podem ser comprovados por registros escritos, Mário Viana baseou-se em um caderno de anotações que disse ter visto em que constavam todos os gols e jogos de "fried" inclusive nos muitos amistosos e jogos de exibição que disputou para ganhar dinheiro em equipes como Grêmio, Santos, Atlético Mineiro e Flamengo contudo este caderno foi atirado no lixo e desapareceu, outro motivo da controvérsia está em que os dados do tal caderno determinavam 1239 gols e assim houve uma inversão nos dois dígitos internos que elevou em 90 gols a marca, muitos julgam que a controvérsia encerrou-se quando o jornalista e pesquisador Alexandre da Costa encontrou o registro de 592 jogos de Friedenreich onde ele marcou 556 gols o que seria outro recorde o de 0,99 gols por partida, contudo outros estudiosos contestam esta marca pelo fato de que Alexandre ignorou as partidas em que Friedenreich atuou mas que não haviam registro do resultado do jogou ou independente de haver ou não o resultado de quem marcou os gols da partida, nesse caso apenas Sérgio Junqueira de Mello pesquisador das primeiras equipes do futebol paulista encontra nove partidas de Paulistano, Ypiranga e até de um Combinado Brasileiro onde Friedenreich atuou e mesmo naquelas em que se encontra o resultado final da peleja não se encontra quem marcou os gols., há ainda os que contestam o número de partidas encontradas uma vez que até meados da década de 20 eram raros os registros de jogos de futebol nos jornais e como no início o futebol em muito se assemelhava aos atuais jogos varzeanos era muito comum um jogador ou mesmo uma equipe efetuar duas ou até três partidas no mesmo dia, ainda sim independente de tantas controvérsias nada desmerece este artista da bola que pela seleção brasileira fez 22 partidas e marcou dez gols, venceu sete vezes o campeonato paulista, três vezes o campeonato brasileiro de seleções estaduais e claro os dois títulos pela seleção brasileira, fundou o São Paulo da Floresta que deu origem ao atual São Paulo Futebol Clube e que quando faleceu em 06/09/1969 não saiu da vida pra entrar pra história e sim pra se tornar uma lenda.

ARTUR FRIEDENREICH

Friedenreich foi o Pelé dos anos 20. Em 1930, com a extinção do futebol do paulistano, passou para o São Paulo, dando importante contribuição para a conquista do título paulista de 1931, mesmo com 39 anos de idade. Atuou também diversas vezes na seleção brasileira, tendo sido campeão su-lamericano de 1919 e artilheiro do campeonato. Marcou 1329 gols nos seus 26 anos de futebol, foi 9 vezes artilheiro do campeonato paulista. Moreno de olhos verdes e cabelo carapinha (filho de alemão com mulata), sua agilidade era tanta que os argentinos, reis do futebol naquela época, o apelidaram de El Tigre.

MELHOR QUE PELÉ????
Quem o viu jogar sustenta, categórico, que Friedenreich foi melhor ou tão bom quanto Pelé. Na verdade, trata-se de uma comparação difícil, pois o futebol que se jogava na primeira metade do século era muito diferente do praticado no tempo de Pelé. Mas, em números, a FIFA os iguala.
Ou quase: Artur Friedenreich, filho de alemão com mulata brasileira, marcou ao longo de seus 26 anos de carreira nada menos que 1.329 gols.Friedenreich jogou no Germânia, no Ypiranga, no Americano, no Paulistando e no São Paulo. No tricolor, formou com Nestor; Clodô e Bartô; Mílton, Bino e Fabio; Luizinho, Siriri, Araken e Junqueirinha a equipe que ficou conhecida como "Esquadrão de Aço" e se tornou campeã em 1931.
Inteligente, Friedenreich talvez tenha sido o jogador mais objetivo e um dos mais corajosos de sua época. Parecia conhecer todos os segredos do futebol e sabia quando e como ia marcar um gol.
Foi, sem dúvida, um dos maiores centroavantes que o Brasil já teve. Em 1925, voltou da Europa como um dos "melhores do mundo", depois de vencer, pelo Paulistano, nove dos dez jogos disputados. Em 1929, marcou 7 gols numa única partida contra o União Lapa, batendo o recorde da época. Friedenreich participou ainda da decisão do Campeonato Brasileiro, em 1931, disputado entre paulistas e cariocas, e encerrou sua carreira no Flemengo, em 1935, aos 43 anos de idade.

FOME DE GOL = FRIEDENREICH

Ao ser contratado pelo Paulistano em 1918, onde jogou até 1929, deu início à melhor fase de sua carreira.Brilhou também na seleção brasileira.Na conquista do Sul-Americano de 1919 foi considerado o melhor jogador brasileiro e um dos destaques da competição. Em 1925, fez parte da equipe do Paulistano que brilhou numa excursão à Europa, com nove vitórias em dez partidas disputadas.Os jogadores do Paulistano foram apelidados de "Les Rois du Football" (Os Reis do Futebol) pela imprensa européia. Em 1929, marcou 7 gols numa única partida contra o União da Lapa, batendo o recorde na época. Com a extinção do futebol no Paulistano, foi um dos precursores do São Paulo da Floresta.Já estava com 37 anos, mas a idade parecia não pesar para um artilheiro como ele. Jogou no São Paulo de 1930 à 1934 e conquistou o título paulista de 1931, o primeiro da história do clube.Atingiu marcas impressionantes, como no Campeonato Paulista de 1932, ao marcar 32 gols em 26 jogos. Nos anos 30 e 31, o Tricolor disputou 52 partidas pelo Campeonato Paulista e ele participou de todas como titular, tendo marcado neste período 57 gols.
Jogou 81 partidas pelo São Paulo. Marcou ao todo 663 gols pelo São Paulo, com média de 0,814 gol por jogo, que o consagra como o maior artilheiro são-paulino, por média em todos os tempos. Sua última partida com a camisa tricolor aconteceu no dia 02 de setembro de 1934, quando o São Paulo venceu o Palestra por 1x0, com gol dele, aos 18 minutos do segundo tempo. Encerrou a carreira no Flamengo, em 1935, aos 43 anos de idade.
Era um centroavante de incrível elasticidade, possuía um excelente passe, era muito inteligente e objetivo.Foi, sem dúvida, o primeiro ídolo do futebol brasileiro. Há quem jure que foi melhor até mesmo que Pelé e que teria feito mais gols que o Rei, com a incrível marca de 1.329 em 26 anos de carreira.Verdade ou não o fato é que Friedenreich ("El Tigre") foi o melhor jogador brasileiro da época do amadorismo. Os 1.329 gols que dizem ter feito em toda a carreira jamais poderão ser comprovados.Independente do número de gols marcados, não há como negar que Friedenreich foi o maior artilheiro e jogador do futebol brasileiro antes de Pelé. Faleceu em 06 de setembro de 1969. Em levantamento realizado pela Revista Placar (junho/2000), Friedenreich teria marcado 556 gols em 561 jogos, com média de 0,99 gols por partida (superior à Pelé que é de 0,93 gols por jogo). Seja qual for o número verdadeiro de gols marcados, o fato é que Friedenreich era infinitamente melhor do que qualquer outro jogador de sua geração.

Nome completo: Arthur Friedenreich
Jogos disputados pelo SPFC: Não há registros
Data de entrada no clube: 1930
Data de saída :1934
Gols marcados no SPFC: 63
Nascimento: 1892 em São Paulo
Falecimento: 06/09/1969
Títulos conquistados no SPFC: Campeão Paulista de 1931
Outros clubes em que atuou: Mackenzie, Ypiranga, CA Paulistano (antes do SPFC) e Fluminense

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