
Leônidas da Silva (Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1913 — Cotia, 24 de janeiro de 2004) foi um dos principais jogadores brasileiros de futebol e, talvez, a primeira grande estrela do futebol na era profissional no Brasil. Tetracampeão pelo Botafogo, em 1935, 1° campeonato oficial, no regime profissional.
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Biografia
Era filho de "Dona" Maria e do "Sr." Manoel Nunes da Silva e na infância era torcedor do Fluminense, encantado que foi com o grande time tricolor tricampeão carioca em 1917/1918/1919.
Conhecido como o "Diamante Negro" ou "Homem-Borracha", Leônidas da Silva começou sua carreira em 1930 no São Cristovão do Rio. Em 1932, com apenas 19 anos, chegou à Seleção Brasileira devido a sua habilidade com a bola nos pés. Após fazer dois gols na sua estréia, vestindo a camisa amarela da Seleção Brasileira.
Foi jogar pelo Peñarol do Uruguai em 1933. Após um ano, contudo, voltou ao Brasil para jogar pelo Vasco da Gama, o qual ajudou a ganhar o campeonato carioca de 1934.
A sua primeira competição importante com a camisa da seleção foi a Copa do Mundo, em 1934, na Itália. O Brasil fez uma péssima campanha, perdendo logo na estréia e sendo eliminado, e Leônidas marcou o único gol do Brasil na competição. Em 1938, foi artilheiro da Copa do Mundo com oito gols, incluindo quatro marcados contra a Polônia. Isso fez dele o primeiro jogador da história a marcar quatro gols em uma única partida de Copa do Mundo. O Brasil conseguiu a sua melhor participação em mundiais até então, ficando com a terceira colocação. Posteriormente, Lêonidas foi escolhido o melhor jogador do mundial.
Nos clubes, ele também obteve êxito no Botafogo, Flamengo e Vasco, ganhou títulos e virou ídolo, principalmente no Flamengo. Também combateu o preconceito, sendo um dos primeiros jogadores negros a jogar pelo então elitista time do Flamengo.
Em 1942 transferiu-se para São Paulo e atuou no São Paulo Futebol Clube. Foi cinco vezes Campeão Paulista, tornado-se um dos maiores ídolos da história do São Paulo, sendo homenageado no museu do clube com uma réplica de uma bicicleta que ele executou.
Durante a década de 40, devido a Segunda Guerra Mundial, os mundiais que seriam realizados em 1942 e 1946 foram cancelados, prejudicando enormemente jogadores como Leônidas, que não tiveram a oportunidade de se tornar conhecidos e reconhecidos mundialmente.
Depois de abandonar os gramados, em 1951, ainda continuou ligado ao esporte. Foi dirigente do São Paulo, logo depois virou comentarista esportivo, sendo considerado por muito um comentarista direto, duro e polêmico. Chegou a ganhar sete prêmios "Roquette Pinto". Sua carreira de radialista teve que ser interrompida em 1974 devido a doença do Mal de Alzheimer. Durante trinta anos ele viveu em uma casa para tratamento de idosos em São Paulo até morrer, em 24 de janeiro de 2004, por causa de complicações relacionadas à doença. A sua esposa e fiel companheira, Albertina Santos, foi quem cuidou dele até seus últimos dias. Todos os dias ela visitava o marido e passava o tempo com ele, cuidando do ex-craque. O tratamento foi mantido pelo São Paulo, último time que Leônidas defendeu como jogador. Foi enterrado no Cemitério da Paz, em São Paulo.
Graças ao trabalho de pessoas esforçadas o legado do "Diamante Negro" jamais será esquecido, mesmo o Brasil sendo considerado uma país que não dá atenção aos ídolos do passado. Foi lançada uma biografia do atleta e sua vida vai ser transformada em filme. Tudo para que os amantes do futebol não esqueçam desse que foi um dos maiores jogadores de todos os tempos. Alguns acham que isso ainda é pouco, já que Leônidas foi um dos maiores ídolos do Brasil, até o aparecimento de Pelé, no final dos anos 50. Alguns consideram Leônidas melhor que Pelé, porém é algo que ficará incerto, visto que os jogos ainda não eram televisionados na época em que Leônidas atuava como jogador.
A "bicicleta"
Leônidas recebeu o crédito por ter inventado a "bicicleta". Ele mesmo se autoproclamava o inventor da plástica jogada. Alguns afirmam ter sido criada por um outro jogador brasileiro, Petronilho de Brito, e que Leônidas apenas a teria aperfeiçoado.
A primeira vez que Leônidas executou essa jogada foi em 24 de abril de 1932, em uma partida entre "Bonsucesso" e "Carioca", com vitória do Bonsucesso por 5 X 2. Já pelo Flamengo, realizou a jogada somente uma vez, em 1939 contra o Independiente, da Argentina, que ficou muito famosa na época.
Pelo São Paulo ele realizou a jogada em duas oportunidades, a primeira em 14 de junho de 1942, contra o Palestra Itália, na derrota por 2 x 1. E a mais famosa de todas, em 13 de novembro de 1948, contra o Juventus, na goleada por 8 X 0. A jogada ficou imortalizada pela mais famosa foto do jogador.
Na Copa do Mundo de 1938 ele também realizou a jogada, para espanto dos torcedores.
Curiosidades
- O apelido de "Diamante Negro" foi dado pelo jornalista francês Raymond Thourmagem, da revista Paris Match, maravilhado pela habilidade do brasileiro. Já o apelido de "Homem-Borracha", também dado pelo mesmo jornalista, foi devido a sua elasticidade.
- Anos mais tarde a empresa Lacta homenageou-o, criando o chocolate "Diamante negro", vendido até hoje. A empresa só pagou dois contos de réis à época, sendo que Leônidas nunca mais cobrou nada pelo uso da marca.
- A derrota do Brasil na semifinal da Copa de 38, para a Itália, provocou controvérsias na época. Leônidas não atuou devido a uma lesão, porém, o técnico da seleção na época, Adhemar Pimenta, foi injustamente acusado de ter menosprezado a Itália, poupando Leônidas para a final. Na verdade, o matador não tinha condições de jogo, como ficou comprovado depois.
- Ainda em consequência dessa derrota, o reserva de Leônidas, o jogador Niginho, declarou em 1958, que Leônidas teria forjado sua contusão para não atuar, devido a um suposto pagamento do ditador italiano, o fascista Benito Mussolini. Leônidas acabou processando-o por calúnia, e venceu nos tribunais.
- Em 1942, em sua chegada a São Paulo, o atleta foi recebido por aproximadamente 10 mil pessoas na estação de trem da Luz.
Clubes
- São Cristóvão
- Sírio Libanês
- Bonsucesso
- Peñarol (Uruguai)
- Vasco da Gama
- Botafogo-RJ
- Flamengo
- São Paulo
- Seleção Brasileira
] Títulos
Campeonato Carioca (1934) - Vasco da Gama
Campeonato Carioca (1935) - Botafogo
Campeonato Carioca (1939) - Flamengo
Campeonato Paulista (1943, 45, 46, 48 e 49) - São Paulo
Copa Rio Branco (1932) - Seleção Brasileira
Copa Roca (1945) - Seleção Brasileira
3º lugar na Copa do Mundo (1938) - Seleção Brasileira
] Gols
- Seleção Brasileira: 37 Gols em 37 Jogos
- São Paulo: 140 Gols em 211 Jogos
- Flamengo: 142 Gols em 179 Jogos
Leônidas da Silva
Sem favor nenhum, um dos maiores (se não o maior) centro avante que o futebol brasileiro já teve.
Os mais saudosistas poderão falar em Friedenreich. Outros poderão se lembrar de Ademir de Menezes, de Heleno de Freitas e outros tantos, mas como Leônidas da Silva... Não houve nenhum.
Acabei de ler no jornal "O Lance" de hoje, dia 25/06/2001, uma comovente reportagem sobre esse grande craque, hoje com 87 anos, que se encontra internado na Clinica Geriátrica São Camilo, em estado grave, atacado pelo Mal de Alzheimer. Felizmente a Diretoria do São Paulo F.C. paga todas as despesas hospitalares, garantindo o tratamento deste que foi um de seus melhores jogadores.
Foram inúmeros os títulos que Leônidas ajudou o tricolor paulista ganhar.
Os frios dados estatísticos não valem a pena ser comentados, é fácil consegui-los.
A figura de Leônidas é rica em detalhes interessantes.
O apelido de Diamante Negro caiu-lhe como uma luva. Realmente tinha o valor e consistência de um diamante bruto.
Na Copa do Mundo de 1938, foi o artilheiro máximo e o principal jogador brasileiro. Por estar machucado, não jogou contra a Itália e o Brasil perdeu esse jogo, perdendo a chance de ser o Campeão Mundial. Encantou tanto os franceses, que foi apelidado de Homem de Borracha, tal a elasticidade que mostrava em campo.
Em 1942, quando foi contratado pelo tricolor, naquela que foi durante muito tempo a transferência mais cara do futebol brasileiro, já era veterano. A imprensa paulistana criticou a transferência, dizendo que o São Paulo comprara um "Bonde" (para quem não sabe, naquele tempo, os vigaristas sempre vendiam bondes às suas vítimas), pois se tratava de um jogador em fim de carreira.
Só que Leônidas jogou até 1950 pelo tricolor, sendo sempre o destaque do time, num ataque que ficou mais do que famoso: Luizinho, Sastre, Leônidas, Remo e Teixeirinha.
O importante é que todos aqueles que tiveram o privilégio de ver Leônidas em ação, sempre se lembrarão da qualidade de seu futebol.
Artilheiro por excelência, tinha um "faro" de gol impressionante. Sempre estava na hora certa, no lugar certo. Além disso, era dotado de técnica apurada, e deixava seus marcadores malucos.
Jogador temperamental, empenhava-se com muita dedicação em campo, ao mesmo tempo que sempre arrumava confusão com adversários, com suas provocações geniais.
Nunca engoliu passivamente determinações de diretores ou de técnicos. Sabia o que fazia em campo e o fazia muito bem, mesmo contrariando ordens superiores. E sempre conseguiu êxito.
Suas jogadas mortíferas até hoje são lembradas. Foi o criador da "bicicleta". Essa jogada, aliás, está imortalizada na sala de troféus do São Paulo.
Disputou 8 vezes o Campeonato Paulista, foi campeão em 5 oportunidades e em todos esses títulos teve muito de Leônidas da Silva. Mereceu mesmo ser imortalizado na Sala de Troféus do Morumbi.
Ao encerrar a carreira de jogador, deixando um vazio imenso no coração da torcida, tentou ser técnico, ou dirigente, mas seu temperamento agressivo não permitiu que tivesse êxito nessas funções. Como comentarista esportivo, apesar de seu temperamento forte, conseguiu muito sucesso, tendo ganho diversos prêmios.
Desejo parabenizar o jornal "O Lance" pela belíssima reportagem, resgatando a figura de Leônidas da Silva, hoje recolhido a um leito de hospital.
A figura deste grande jogador mereceu essa homenagem.
Desejo parabenizar também a Diretoria do São Paulo, por estar cobrindo todas as despesas hospitalares e sem fazer alarde ou propaganda disso. O reconhecimento é uma das grandes virtudes humanas. E o São Paulo F.C. deve muito a Leônidas da Silva.
André Ribeiro, autor da biografia de Leônidas, o livro "O Diamante Eterno", também está empenhado na produção de um documentário sobre a vida deste grande jogador; merecendo encômios por esse empreendimento. Temos que mostrar reconhecimento a um grande atleta.
Espero que tenha muito êxito, amigo André Ribeiro.
Tenha muita sorte, Leônidas da Silva e obrigado pelo muito que você fez ao esporte brasileiro.
Diamante de borracha
Leônidas popularizou a "bicicleta", mas fez muito mais, foi o maior craque brasileiro antes de Pelé
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Leônidas foi o primeiro astro do futebol profissional no Brasil. Centroavante técnico, veloz, com grande impulsão e elasticidade, ele logo ganhou o apelido de Homem de Borracha, devido a seus lances acrobáticos. Mas foi um lance em especial que entrou para a história: a bicicleta. Se ele foi o inventor da bicicleta ou não, pouco importa. Depois de mostrá-la aos cariocas, Leônidas a apresentou ao mundo no mais importante templo do futebol da época, o Estádio Centenário, em Montevidéu.
Construído para a primeira Copa do Mundo, de 1930, o Centenário estava lotado para o jogo da Copa Rio Branco entre brasileiros e uruguaios, então bicampeões olímpicos e campeões mundiais. O Brasil já vencia por 1 x 0, gol de Leônidas, quando ele lançou uma bola de bicicleta para a direita e correu na área para fazer o segundo gol. Foi um assombro. O brasileiro passou a ser chamado de Diamante Negro e acabou contratado pelo Peñarol aos 19 anos de idade.
O diamante voltou logo a brilhar no Brasil. Foi campeão com Vasco, Botafogo, Flamengo e, por fim, São Paulo. Disputou duas Copas. No Mundial de 34, fez o único gol do Brasil, eliminado ao perder na estréia para a Espanha. Em 1938, tornou-se o grande destaque: foi o artilheiro com oito gols e o melhor atacante da competição, segundo os jornalistas.
Leônidas jogou até os 37 anos, foi garoto-propaganda de vários produtos e, em especial, do chocolate Diamante Negro. Depois virou treinador e comentarista de rádio e TV. Se aposentou após a Copa de 74, quando já se manifestava o mal de Alzheimer. Leônidas da Silva venceu mitos como Ademir, Tostão, Vavá e outros em uma pesquisa de PLACAR para escolher a Seleção Brasileira do Século. Ele vive numa clínica para idosos, em São Paulo.
Ficha completa
Nome: Leônidas da Silva
Nascimento: Rio de Janeiro, RJ, 6/9/1913
Posição: Centroavante
Clubes em que jogou: Bonsucesso (1930 a 1932), Peñarol-URU (1933), Vasco da Gama (1934), Botafogo (1935 a 1936), Flamengo (1936 a 1942), São Paulo (1943 a 1950)
Títulos: Campeão carioca pelo Vasco (1934) , pelo Botafogo (1935) e pelo Flamengo (1939); campeão paulista (1943, 1945/46, 1948/49) pelo São Paulo
Almanaque
Na memória francesa
Apesar da falta de memória que sempre imperou no futebol brasileiro, Leônidas conseguiu escapar do esquecimento. Pelo menos na França, onde brilhou no mundial de 1938. No dia do jogo entre Brasil e Chile pela Copa de 1998, torcedores colocaram uma faixa no estádio: "Leônidas vive."
Jogos pela seleção: 25
Gols: 25
O primeiro herói - Leonidas da Silva
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Em Copas do Mundo, o primeiro herói brasileiro foi o lendário Leônidas da Silva. Na Copa de 1938, o Brasil e o mundo acompanhavam, maravilhados o futebol do Diamante Negro.
O Brasil todo estava com a atenção no rádio. A palavra então pronunciada era estática, ruído chato, que lixava os ouvidos, e fragmentava a narração do locutor Gagliano Neto. A transmissão vinha de Estrasburgo, França, muito longe, e muito sofrida pela ansiedade. Nas Copas de 1930 e 1934, o rádio era um artigo de luxo e não chegara ao povão. Mas, em 1938, geralmente e, formato de igrejinha, ele já era objeto encontrado em todos os lares, talvez a primeira conquista da pobreza nacional. Era um domingo quando Brasil enfrentou a Polônia. Foi a maior tarde do futebol brasileiro até aquela data. E maior também por causa de uma prorrogação que torturou a nação inteira. No tempo normal, 3x3. E a batalha prosseguiu, prejudicada pela estática da transmissão, até o suado 6x5. Na prorrogação, um tal de Leônidas, que já fizera um gol, fez mais dois. E nascia o ídolo que enfim substituiria o famoso Artur Friedenreich.
Leônidas, com 25 anos de idade, nascido no Rio de Janeiro, não era nenhum novato no esporte, inclusive participara da seleção brasileira na Copa de 1934, na Itália. Dias depois do jogo com a Polônia, o Brasil enfrentava a Tchecoslováquia. Era uma tortura ouvir o jogo que terminou com um empate de 1xl, tendo Leônidas marcado o nosso gol. Menos mal. Pelo regulamento da época, em caso de empate deveria haver um novo jogo. No segundo encontro, o Brasil foi constituído de reservas, menos dois titulares, o goleiro Valter e Leônidas da Silva. O Brasil poupava-se para a semifinal contra a Itália, dois dias mais tarde, em Marselha. Desta vez o Brasil venceu os tchecos por 2x1, com mais um gol de Leônidas, terminando o jogo cheio de esperanças
para vencer a Itália. A imprensa internacional apontava o Brasil como um dos favoritos para ganhar a Copa. Bastaria passar pela Itália. Todos os jornais europeus traziam retratos daquele que poderia garantir a nossa vitória, Leônidas, que mais parecia um homem de borracha.
No dia do jogo contra os italianos os brasileiros estavam nervosos. Naqueles tempos, a Itália, m ais que a Alemanha de Hitler, ainda não testada em conflitos bélicos, impunha respeito e temor. O que poderíamos nós contra ela, mesmo no terreno esportivo ? Os otimistas, porém, sorriam: tínhamos Leônidas. Ele vencera a Polônia e Tchecoslováquia. A imprensa afirmava que ele era superior a Zarosi, famoso centro avante húngaro. E infinitamente melhor do que Piola, italiano, que marcara perto de 500 gols.
No dia do jogo uma noticia amarga começou a circular desde cedo. Leônidas não poderia jogar. Estava contundido. Ninguém queria acreditar. Era azar demais. O boato aos poucos tomava formato de noticia verdadeira. No Rio, um torcedor deu um tiro de revólver no rádio ao ouvir a noticia confirmando a ausência de Leônidas na seleção. Os comentaristas, entretanto, entretanto, procuravam injetar otimismo no publico. Nosso time era muito bom. Tínhamos Romeu, que o colunista Thomas Mazzoni considerava melhor que Leônidas. Tim, Patesco, Perácio, Hercules e o grande zagueiro Domingos da Guia. Mesmo sem Leônidas poderíamos vencer. O nome de Leônidas vendera milhares de rádios em poucos dias. Com o volume no máximo veio um choque logo no inicio. Os italianos abriram a contagem. Tudo parecia perdido, mas a seleção disputava todas, mostrando garra. Romeu estava ótimo e depressa empatou o jogo. Jamais a cidade ouvira tantos rojões e o céu parecia pequeno para tanta fumaça. Era um gol com cara de virada. Mas em um lance em nossa área, o juiz apita um pênalti duvidoso cometido pelo zagueiro Domingos da Guia no atacante Piola. 2x1 para a Itália, a desilusão e logo depois o fim do jogo. Ninguém se conformava. Muitos choravam e juravam que nunca mais torceria por futebol.
Nosso ultimo jogo foi contra a Suécia em disputa da terceira colocação. Leônidas jogou, fez dois gols e vencemos por 4x2. Com esses gols, Leônidas se transformou no artilheiro da Copa do Mundo de 1938 com sete gols. Sua volta ao Brasil foi triunfante. Tornara-se um dos três nomes mais populares no pais: Getúlio Vargas |Presidente do Brasil), Orlando Silva (O cantor das multidões) e Leônidas da Silva (o craque da Copa). A publicidade via nele um nome atraente para vender produtos. Os cigarros Leônidas foram lançados com grande estardalhaço pela companhia Sudan, um dos mais importantes fabricantes do pais. Até hoje existe o chocolate Diamante Negro, da Lacta.
No regresso, Leônidas assinou um novo contrato com o Flamengo, ganhando 80 contos de réis por um ano. Comprou um carro por 3 contos de reis e mudou de status. Quando Leônidas se transferiu para o São Paulo, cerca de 10 mil torcedores estavam na estação do Norte para receber o novo ídolo sanpaulino. Finalmente, no dia 24 de dezembro de 1950, um sábado à noite, no estádio do Pacaembu, aconteceu a despedida oficial de Leônidas do futebol.
O Eterno Diamante Negro
Imagens de vídeo aparecem como documentos incontestáveis do talento de jogadores como Garrincha, Pelé, Zico, Gérson, Didi e muitos outros. No entanto, o futebol já era jogado - e muito bem - antes de a televisão estruturar suas transmissões. Assim, as novas gerações ficam esquecidas de gênios do futebol que não puderam ter imagens de seus melhores momentos imortalizadas em fitas de vídeo.
Um desses casos é o do Leônidas da Silva. O Diamante Negro, como ficou conhecido, foi um dos mais empolgantes jogadores de todos os tempos. Atacante veloz, valente, habilidoso e oportunista, marcou época nas décadas de 30 e 40.
Sua carreira no futebol começou no São Cristóvão, em 1930. Seu estilo de jogo e sua habilidade não tardaram a garantir-lhe um lugar na seleção brasileira, dois anos mais tarde, quando tinha apenas 19 anos. E lá se foi aquele rapaz de personalidade forte entrar em campo no estádio Centenário, em Montevidéu, para encarar o Uruguai, campeão da Copa do Mundo e bi-campeão dos Jogos Olímpicos.
O garoto não se intimidou e marcou dois gols, garantindo uma histórica vitória de 2 a 1 para o Brasil, logo em sua estréia. Era o início de uma longa ficha de bons serviços prestados pela seleção brasileira.
Leônidas disputou sua primeira competição importante pelo Brasil em 1934, na Copa do Mundo da Itália. O país, rachado pela briga entre profissionais e amadores, foi um fracasso, perdendo na estréia e sendo eliminado. Para o jogador, restou o consolo de ter marcado o único gol do time.
Quatro anos mais tarde, brilhou na Copa do Mundo da França, saindo com a medalha de bronze, além de ter sido o artilheiro, com oito gols marcados. E mais: foi eleito, posteriormente, o melhor jogador do Mundial.
Sua carreira nos clubes não foi menos vitoriosa. Jogou no Flamengo, no Botafogo e no Vasco, sendo campeão em todos. Em 1942, aceitou o desafio de se transferir para o futebol paulista, indo jogar no São Paulo.
Se a sua estréia (empate por 3 a 3 com o Corinthians) foi decepcionante, o mesmo não pode ser dito do restante de sua passagem pelo Tricolor paulista. Ajudou o clube a quebrar a seqüência de títulos de Corinthians e Palmeiras (na época Palestra Itália) e conquistou cinco vezes o Campeonato Paulista.
Depois de abandonar os gramados, ainda ficou ligado ao esporte. Foi dirigente no São Paulo, posição que ocupou por pouco tempo. Depois, virou comentarista esportivo, onde imprimia o mesmo estilo dos tempos de jogador: direto, duro e polêmico.
Mas sua carreira no rádio teve que ser interrompida por causa da doença degenerativa da qual foi vítima: o Mal de Alzheimer. Seus comentários foram se tornando confusos e por vezes Leônidas esquecia o que estava falando.
Internado em uma clínica de tratamento de idosos em Granja Viana, ele passou seus últimos dias ao lado de sua dedicada mulher. Mas, infelizmente, sua memória, comprometida por causa da doença, cada vez mais se deteriorava. Em 24 de janeiro de 2004, Leônidas se despediu da vida e pôde descansar em paz, após mais de três décadas de muito sofrimento. O Brasil sentirá muito a falta de seu Diamante Negro, o primeiro grande herói do futebol nacional.
LEÔNIDAS, O «Diamante Negro»
Leônidas da Silva, foi a grande estrelas da selecção brasileira de 1938. Um símbolo da nação canarinha, avançado centro, acrobático, expressão de arte, rebeldia e criatividade. Se pensarmos na génese artística dos negros que fizeram grande o futebol canarinho, Leônidas, simboliza, sem dúvida, mais, essa imagem. Como diria Gilberto Freyre, Leônidas teria sido a primeira grande expressão de um futebol emancipado das suas origens britânicas e aristocráticas, ele sim era o verdadeiro futebol brasileiro.
De estatura pequena, 1,65m. de altua, mas com uma agilidade prodigiosa, era o homem borracha jogando futebol. Se dividirmos o futebol brasileiros em três fases distintas de evolução, podemos concluir que Friedenreich foi o herói da fase amadora, Leônidas o herói da era romântica e Pelé o herói da fase do profissionalismo.
Diz-se que ele foi o inventor do pontapé em bicicleta, mas na verdade tal não corresponde á realidade. Onde o gesto nasceu pela primeira vez foi no Chile, e por isso em Espanha e em todos os países da América Latina ainda se chama chilena ao gesto. O seu inventor foi, em 1927, o avançado David Arellano, jogador do Colo Colo, que, anos depois, traria o gesto malabarista para a Europa, numa digressão pela Espanha. Disse-se então que isso era normal no Chile, e que até teria sido num campo do porto chileno de Talcahuano que, tempos antes, um jogador chamado Ramón Unzaga a teria feito pela primeira vez. A acrobacia causou tanta admiração em Espanha que Arellano logo lá ficou a jogar no Valladolid, mas após marcar vários golos suspenso no ar, de costas para a baliza, acabaria por morrer, no estádio do Valladolid, após um violento e fatal choque com um adversário. No Peru, chamam a essa jogada Chalaca, porque defendem ela ter sido inventada por um jogador peruano do Chalaca FC. Na Argentina e no Equador chama-se Tijera. No Brasil, onde ganhou o nome de Bicicleta, antes de Leônidas, já Petronilho de Brito, irmão de Valdemir de Brito, o descobridor de Pelé, executara esse gesto mirabolante.
Uma coisa, porém, é certa, ninguém as executava com tanta perfeição e beleza como Leônidas e seria ele, num tempo em que as comunicações começavam a nascer, a torná-la famosa e todo o mundo. "Nem lembro quando marquei o primeiro golo dessa maneira, mas posso garantir que fazia a jogada desde menino", confessou anos depois.
Era um génio do mais puro futebol da rua. A prová-lo, no Mundial de 38, no jogo contra a Polónia, disputado sob forte chuva e com o campo enlameado, resolveu a certo ponto tirar as botas e jogar descalço porque assim, dizia, jogaria mais confortável. Ao perceber, o árbitro obrigou-o a calcar as chuteiras novamente, cumprindo as regras, mas se fosse possível, Leônidas preferiria jogar sempre descalço.
O passar dos anos iria minar porém a vitalidade do Diamante Negro. A sua velhice seria passada, internado num lar, com a terrível doença de Alzhaimer. Conta sua mulher que muitas vezes, nos últimos anos de vida, acreditou que por breves instantes ele ainda se lembrou de quem era, pois uma vez, quando caminhava amparado num dos corredores, disse em voz tremula e baixa: “Eu sou o Leônidas”. É, de tudo sempre resta um pouco, como diria Drumond.
CARREIRA:
CLUBES ONDE JOGOU:
São Cristovão
Bom Sucesso, 1930 a 1932.
Peñarol-Uriguai, 1933.
Vasco da Gama, 1934.
Botafogo, 1935 a 1936.
Flamengo, 1936 a 1942.
São Paulo, 1943 a 1950.
TITULOS
Campeão Carioca no Vasco, 1934.
Campeão Carioca no Botafogo, 1935.
Campeão Carioca no Flamengo, 1939.
5 Campeonatos paulistas com o São Paulo, 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949.
Vice Campeão do Mundo/ 1938.
Melhor marcador com oito golos no Mundial de 1938.
Zizinho respondeu que jamais se preocupou em montar sua seleção ideal, mas se tivesse que escolher alguém para compôr o elenco de todos os tempos, certamente escolheria quatro jogadores: Pelé, Domingos da Guia, Leônidas da Silva e Nilton Santos.
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